No próximo dia 16, docentes e funcionários (servidores técnico-administrativos) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) irão paralisar suas atividades para participar de uma manifestação em frente ao prédio da reitoria da instituição, em São Paulo. O movimento marcará a campanha salarial de ambas as categorias, que têm data-base em maio. A principal reivindicação é de reajuste salarial de 16%, correspondente à correção da inflação nos últimos 12 meses.
Ontem, professores e funcionários da universidade se reuniram, em assembléia, para definir os últimos detalhes da caravana do dia 16. Segundo o presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), Milton Vieira do Prado Júnior, a pauta de reivindicações foi apresentada à reitoria no dia 16 de abril e, até o momento, não teriam sido abertas as negociações.
“Até agora, o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo) não deu nenhuma resposta a favor da negociação conosco. Por isso, decidimos pelo ato no dia 16, às 16 horas, que marcará a campanha e a reivindicação do reajuste de 16%â€, diz o presidente da Adunesp.
De acordo com ele, nessa mesma data, pela manhã, professores e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também farão manifestações em frente à reitoria das respectivas instituições. À tarde, representantes dessas duas universidades deverão se juntar ao ato da Unesp, que será realizado na Alameda Santos.
Prado Júnior diz que a campanha salarial 2002 da categoria é totalmente viável. “Os 16% são referentes à reposição salarial, não é aumento real. No ano passado nem houve negociação, simplesmente o Cruesp determinou um repasse de 6%. Na época, estávamos reivindicando 12% de reposiçãoâ€, afirma.
Funcionários
O representante do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), Gino Mariano, cita que o câmpus de Bauru teria uma séria deficiência na quantidade de funcionários. “O câmpus cresceu demais e, conforme os funcionários foram se aposentando, a universidade não supriu essas saídas na mesma proporção. No nosso entendimento, isso é sucateamento da universidade públicaâ€, diz Mariano.
O presidente da Adunesp diz que também consta da pauta de reivindicações - com total de 12 itens - a revisão salarial para compensar perdas pelo ICV do Dieese, tendo em vista a evolução do Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Outros itens importantes são a ampliação da assistência estudantil nas três universidades (Unesp, USP e Unicamp); contratação em tempo integral de professores e funcionários, por concurso público, para reposição e ampliação do quadro das instituições; fim das terceirizações; ampliação de vagas em cursos regulares de graduação; pela democracia e pelo fim das perseguições políticas nas universidades.
Alunos
Paralelamente à campanha salarial, os alunos do câmpus Bauru da Unesp também estão se mobilizando para fazer reivindicações. Ontem, os estudantes realizaram a terceira de uma série de assembléias.
As principais solicitações dos alunos se referem à criação de um restaurante subsidiado pela reitoria, construção de prédios para moradia estudantil e contra a ampliação de vagas para docentes sem oferecer a devida estrutura. Eles também apóiam a campanha salarial dos docentes e funcionários.
“O Cruesp tem um projeto, por exemplo, para professor volante, que daria aulas em vários câmpus. Com isso, o docente fica sem tempo de investir em pesquisa e extensão, o que vai totalmente contra a finalidade da universidade públicaâ€, reclama Suzana Marcolino, representante do Diretório Acadêmico da Faculdade de Ciências.
Em relação à moradia, Suzana diz que o câmpus de Bauru foi retirado do cronograma de construção de unidades específicas aos alunos. “Outros câmpus possuem moradia estudantil. Queremos que Bauru seja reincluído no cronograma de obras. Enquanto isso não ocorre, solicitamos que a universidade alugue casas para os estudantesâ€, aponta.
Quanto ao restaurante, Suzana diz que se a reitoria subsidiá-lo o preço da refeição cairá. Atualmente, os estudantes pagam R$ 2,85 pela alimentação no restaurante universitário, que é privado.