Assim eu classifico o que presenciei ontem (dia 8). Uma conhecida casa noturna que se prestava a realizar um show com três das melhores cantoras - isso sem falar nos músicos - da noite bauruense, não abriu mão de mostrar também o jogo entre Corinthians x Brasiliense, deixando o telão, ao lado do palco, ligado durante todo o show, dividindo a atenção dos espectadores entre o canto e a bola.
Não sei como as cantoras e os músicos que ali estavam se sentiram, mas eu, como espectador, sentia-me constrangido tamanha a afronta à cultura em favor do “ópio do povoâ€. É, já diria o filósofo Jacinto Pena: “O povo precisa de pão e circoâ€, ou então “cada povo tem o governo que mereceâ€. Vou tentar narrar para vocês o espetáculo:
Neusinha canta Iracema. A torcida grita gol; alarme falso. A bola passou por fora. Entre um acorde e outro, uma jogada do Corinthians. O sax solta um agudo. O juiz apita falta. Regina entra de Milton. Escanteio para o Brasiliense. Wanny ataca de Adonirã. É falta na entrada da área. Neusinha apela para “Gente Humildeâ€. O juiz puxa o cartão.
É vermelho! Tá expulso o telão.
“A indiferença mata mais do que fomeâ€. Pobrema de curtura. (Prof. José Reginaldo Furtado - RG. 14.808.646)