10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Emprego na construção civil tem alta de 4,13%

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

O desempenho do emprego formal no setor da construção civil apresentou crescimento de 4,13% no primeiro bimestre deste ano na região Centro-Oeste do Estado de São Paulo. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), os números são animadores, considerando-se que a mesma região, em 2001, apresentou o pior índice de oferta de trabalho, quando houve queda de 9,77% da mão-de-obra formal absorvida.

Antônio Trindade da Silva Neto, diretor regional do SindusCon-SP, os resultados obtidos pela regional Centro-Oeste foram os melhores entre as outras oito regionais da entidade (sediadas em Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Santos e Sorocaba). A elevação foi de 2,13% em janeiro e 1,95% em fevereiro.

Silva Neto afirma que o crescimento, no início do ano, chegou a surpreender, principalmente nas cidades da região. Em Bauru, somente agora é que a Prefeitura está liberando obras, o que está impulsionando a alta.

Outros motivos para o bom resultado do primeiro bimestre são a abertura de licitações pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a implementação do Programa de Arrendamento (PAR), da Caixa Econômica Federal (CEF). “Esses fatores estão clareando bastante o futuro, até o final de 2002, numa expectativa bastante positiva”, ressalta.

As eleições, que devem provocar a liberação de obras em várias cidades da região, também podem colaborar para um resultado melhor em 2002. Apesar de acreditar nisso, o diretor do SindusCon-SP não arrisca a fazer previsões de números. Até agora, todo o resultado favorável foi puxado pelas obras do setor privado, entre comerciais e residenciais.

Atualmente, a regional Centro-Oeste responde por 4,6% do emprego na indústria da construção paulista. Cerca de 77% dos empregados trabalham nos segmentos relacionados a obras.

Dentre estes segmentos, merece destaque o das edificações, cujo emprego representa mais de 50% do total do setor na região – percentual bastante elevado quando comparado com o restante do Estado. As edificações foram as principais responsáveis por esse início de recuperação no emprego, com um crescimento de 9,2% na mão-de-obra empregada. Isso significou a criação de aproximadamente 750 novos postos de trabalho.

Estes resultados, segundo o SindusCon, também permitiram um aumento de 0,5% e 0,62% nos salários de pedreiro e servente, respectivamente, no mês de março. Segundo o Setor de Economia do SindusCon-SP, a Regional Centro-Oeste foi a única a registrar aumento de salários em março.

A Regional Centro-Oeste engloba 97 municípios e participa com 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual (dados de 1996) – uma parcela reduzida em comparação com outras regionais, mas cujo valor corresponde ao PIB do Ceará no mesmo ano.

‘Pequeno incremento’

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Bauru e Região, Cláudio da Silva Gomes, disse que a entidade já fazia uma projeção do “pequeno incremento” na quantidade de empregos na região, apontada agora pelo SindusCon-SP. Ele afirma que os 4,13% são apenas a recuperação de parte das perdas do ano passado.

Gomes atribui o desempenho à retomada de obras residenciais e alguns empreendimentos, como o aumento de um turno das obras do Hospital Regional. Outra obra que colaborou foi a ampliação da Lwarcel, em Lençóis Paulista, que empregou mais de 300 trabalhadores.

De acordo com o Sindicato, a região de Bauru tem cerca de 8 mil trabalhadores na construção civil. Apesar de considerar pequena a recuperação de 4,13% dos empregos, Gomes a considera positiva, em razão da recessão que atinge o mercado de empregos formais.

O presidente da entidade afirma que as eleições não devem trazer grandes reflexos para o setor da construção civil. Para ele, se os governos fossem apostar em obras, a maioria já estaria em curso, para inaugurar próximo às eleições. Para ele, há uma grande necessidade de obras públicas em várias cidades, que não são implementadas por falta de recursos que, segundo ele, são drenados para custear os pagamentos da dívida externa.