08 de julho de 2026
Polícia

Cadeia restringe entrada de alimentos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A partir da próxima semana, os presos recolhidos na Cadeia Pública de Bauru não poderão mais receber alimentos caseiros, enviados por seus parentes e amigos. O delegado Roberval Fabbro, diretor da unidade, restringiu a entrada de comidas após descobrir quatro pedaços de serra e duas brocas escondidos no fundo falso de um pote plástico com arroz pronto, durante a visita da última quinta-feira.

O pote era endereçado a um preso que estava na cela 6, mas que havia sido transferido justamente no dia da visita. “Provavelmente os presos iriam usar as brocas para furar a laje da cela. Com as serras, cortariam os ferros da laje e tentariam a fuga pelo teto”, diz Fabbro. Ontem à tarde, a cadeia, que tem capacidade para 70 presos, abrigava 177.

Os materiais, que poderiam ser usados numa tentativa de fuga, foram descobertos por um dos funcionários da cadeia que fazia a revista das encomendas enviadas aos presos. “As serras e brocas foram colocadas no fundo de um pote. Para esconder as ferramentas, encaixaram na vasilha apenas o fundo de um pote menor. E então colocaram o arroz”, conta.

A proibição da entrada de comidas caseiras é uma medida preventiva, ressalta Fabbro. “Nós já suspeitávamos da entrada desse tipo de material junto com a comida há tempos, mas nunca havíamos pego nada. Para evitar esse esquema, a partir de agora está proibida a entrada de comida caseira, em que é mais fácil esconder serras, drogas e armas”, afirma.

Todos os presos que estavam na cela 6, como punição administrativa, estão proibidos de receber visitas por um mês. O delegado explica que os presos da cadeia podem receber alimentos industrializados, desde que estejam acondicionados em embalagens transparentes e lacradas. “Só entrarão alimentos em pacotes transparentes, para podemos verificar o conteúdo, como de pão fatiado”, ressalta.

Também são proibidos enlatados em geral, para evitar que o vasilhame seja transformado em arma branca, frutas e açúcar. O delegado conta que a entrada de frutas está proibida porque podem ser fermentadas na própria cela e servir para fabricação de bebidas. “A casca de laranja, por exemplo, é usada para fazer maria-louca, um tipo de bebida com a fruta fermentada e açúcar”, conta.

Fabbro lembra que os detentos recebem três refeições diárias - café da manhã, almoço e jantar, incluindo sobremesa e refrigerante. “As visitas levam alimentos para atender o gosto pessoal dos presos, mas eles têm todas as refeições na cadeia”, diz. Cigarros e produtos de higiene pessoal são permitidos. “Sabemos que visitas e presos vão reclamar, mas é uma medida que temos que tomar para evitar fugas”, frisa.

Mulheres: 90% das visitas

Aproximadamente 90% das pessoas que visitam os presos da Cadeia Pública de Bauru são do sexo feminino - mães e esposas dos detentos. Todas passam por revista pessoal, feita por uma funcionária da unidade, segundo o delegado Roberval Fabbro. Toda encomenda encaminhada aos presos também é vistoriada.

Além da entrada de alimentos caseiros, que agora está proibida, o delegado conta que as mulheres também não podem usar sapatos de salto alto durante as visitas. “Elas podem esconder drogas nos saltos de sapatos. O volume de visita é muito grande e temos poucos funcionários para fazer a revista pessoal e a vistoria das encomendas”, revela.

Na cadeia, a visita semanal é feita somente às quintas-feiras, das 8h às 13h, e cada detento tem direito a receber duas pessoas por semana. Neste dia, os presos podem circular pelas celas, corredores e pátio interno, locais onde recebem suas visitas. “Como cada preso tem direito a receber duas pessoas e a maioria recebe visita toda semana, é comum termos mais de 200 visitas às quintas-feira”, conta.