De volta para o passado. Assim costuma se sentir quem visita os encontros de carros antigos espalhados pelo País. E não poderia ser diferente naquele realizado entre os dias 1 e 5 deste mês em Águas de Lindóia e acompanhado pela reportagem do AutoMercado & Cia.
O evento, considerado um dos quatro melhores do Estado, reuniu cerca de 500 veículos do gênero e milhares de admiradores e integrantes de clubes, entre eles o bauruense presidido pelo médico José Carlos Tosi. Outras atrações foram a Feira de Peças e Acessórios e o Salão de Motos Clássicas.
Variedade foi o que não faltou no encontro. Além dos clássicos Fordinhos das décadas de 20 a 50, o público pôde conferir os esportivos e conversíveis americanos, esportivos europeus, Corvettes, os fechados dos anos 60, mini carros, veículos de competição, Mercedes fechadas e várias marcas nacionais. Também chamaram a atenção os caminhões, picapes, utilitários, comerciais, jipes e os veículos militares.
Mas o que mais impressionava, além da quantidade, era a beleza e a originalidade de muitos automóveis expostos. Mesmo tendo sido construídos há várias decadas, a maioria - salvo raras exceções - encontrava-se em perfeito estado de conservação. Tanto que a premiação selecionou mais de 1/5 dos participantes - exatos 118 expositores - para serem agraciados. Entre eles, destacaram-se como o mais antigo o modelo Schacht, do ano de 1902, e o Bugatti Stelvio Cabriolet 1937, que faturou o prêmio “The Bestâ€.
Por onde se andava, a variedade de marcas era imensa, entre elas Fuscas, Mavericks, Galaxys, Dodges, Impalas, Cadillacs, Rollys Royces, Romi-Isettas, Bellairs e por aí afora. O encontro também destacou-se pela sua vocação “famíliaâ€, reservando várias atrativos às crianças e adultos. Além dos passeios de charretes decoradas no estilo das décadas passadas, os visitantes podiam optar por conhecer o recinto do evento viajando em uma “jardineira†e colocar seus filhos a bordo de “possantes†mini carros de Fórmula 1.
Só que quando o assunto é paixão pelos automóveis antigos, os expositores abrem seus corações. José Aparecido Medeiros é um deles. Ele veio de São Sebastião para Águas de Lindóia especialmente para participar do encontro e poder apresentar sua Romi-Isetta azul 1959 com motor BMW.
Para Medeiros, tão prazeroso como ser proprietário de um carro de décadas passadas é ter a oportunidade de mostrá-lo em um encontro. Por essa razão, é freqüentador assíduo de eventos do gênero. “Muitas pessoas não podem tê-los e nem mesmo andar ou chegar perto de automóveis desse tipo. Diante disso, ser dono de um carro antigo, além de um privilégio, é um hobby maravilhosoâ€, considera ele. Medeiros ressalta, ainda, o crescimento e a qualidade do evento, onde já esteve em outras quatro oportunidades. “Ele é um dos melhores do Estado e, ano a ano, mostra carros de qualidade cada vez melhor.â€
Saudosismo
Para muitos colecionadores de autos antigos, além da chance de exibir suas “jóias†raras, encontros como os de Água de Lindóia servem para relembrar os tempos de infância e adolescência.
É o que destaca Jairo Bastos, dono de um Camaro 1974, uma Kombi 1969 e um Fusca 1968. Aficcionado por automóveis desde garoto, afirma que só não aumenta sua coleção por limitações físicas de sua residência e, principalmente, financeiras. “Ter um carro antigo é concretizar a possibilidade de voltar ao passado e recordar os tempos de juventude. Entretanto, só não tenho mais veículos desse tipo por não ter espaço na garagem e pelo fato de ser um hobby que não é muito baratoâ€, diz Bastos.
A exemplo de Medeiros, também elogia o evento lindoiense. “Muitos fazem questão de tirar seus veículos da garagem apenas para participar dele, pois trata-se de um encontro de porte grandioso. Com isso, temos a oportunidade de apreciar autos raros, que não costumam andar com freqüência pelas ruasâ€, enfatiza Bastos. Ele cita, entre outros exemplos, um Jaguar, um Bugatti e uma Rollys Royce da década de 20 presentes em Águas de Lindóia.
Salão clássico
Outra grande atração do Encontro de Autos Antigos de Águas de Lindóia foi o Salão de Motos Clássicas, que trouxe algumas raridades para os apaixonados pelo mundo motociclístico.
A maior delas foi uma RD 50 cilindradas do ano de 1976. Além do modelo ter sido a primeira a ser produzida pela marca no País, a motocicleta exposta no Salão reservava outra particularidade para diferenciar-se das demais da mesma série: era preparada para competição.
Outra atração igualmente rara no salão foi uma Csepel 1958, moto de origem húngara produzida de 1947 a 1954 nos modelos ED, EF e de Luxe. Também marcaram presença uma BMW 1969, várias motocicletas da linha Yamaha e algumas curiosidades, como uma bicicleta Harley Davidson, uma Vespa M4 sidecar e uma Vespa Car 1961 e lambretas.