09 de julho de 2026
Bairros

Bauru terá maior obra sacra do Interior

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

A obra do santuário da Paróquia Universitária do Sagrado Coração de Jesus, no Jardim Panorama, ainda não foi concluída, mas hoje na missa das 18h30, no Teatro Veritas, será oficialmente apresentado à comunidade o desenho do vitral que preencherá o altar do templo e que já é considerado a maior obra de arte sacra do Interior de São Paulo.

Uma comissão liderada pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho, que projetou o santuário com capacidade para 1.300 pessoas (1.000 na nave e 300 na galeria), está viabilizando a aprovação do financiamento do Projeto Vitral através da lei Rouanet, do Ministério da Cultura, que permite aos colaboradores do projeto o abatimento dos valores no Imposto de Renda.

O arquiteto embarca nesta terça-feira, numa comitiva com mais três bauruenses ligados à arte e ao projeto, para a Bulgária, de onde trará o orçamento e a documentação necessária para anexar ao pedido. Para fomentar as ações culturais entre os dois países, foi criado o Instituto Brasil-Bulgária, do qual Bueno é diretor da regional São Paulo.

O vitral de 14,3 metros de largura por 11,5 metros de altura foi concebido pelos artistas plásticos búlgaros Yury Filipov Vassilev e Nikolay Kostov Dratchev especialistas em arte sacra e que em 1998 entregaram à comunidade bauruense a pintura mural da Capela da Univesidade do Sagrado Coração (USC). Em poucos meses na cidade, os artistas também deixaram outro legado, pois deram várias oficinas para artistas nacionais.

Dentro da proposta do Projeto Vitral, os búlgaros darão novos cursos de Arte em Vidro, com certificados reconhecidos pela USC.

Pesquisa

A própria arquitetura do santuário apresenta toda uma simbologia, resultado de uma vasta pesquisa feita por Jurandyr, na Bulgária, berço da arte sacra. Seja nas formas ou nos materias, o arquiteto aliou alta tecnologia um ambiente propício à meditação e à conversa com Deus.

“Aprendi muito na Bulgária sobre arte sacra Cristã. As primeiras pinturas com a imagem do Cristo de que se tem notícia foram feitas em grutas nos Balcãs. A própria escola de arte sacra búlgara tem 1.500 anos.”

Para Jurandyr é evidente que, nos dias atuais, sua maior dificuldade foi criar um espaço sagrado que em algumas ocasiões pudesse abrigar atividades culturais. Por isso, deu tratamento acústico especial ao local e criou dispositivos e elementos que acionados por controle remoto transformam o ambiente. “A arquitetura e as técnicas modernas possibilitam isso plenamente”, comemora, salienatndo que hoje as igrjas possuem espaços enormes e pouco utilizados.

Sobre essa possibilidade de juntar no mesmo espaço o sagrado e o profano, irmã Jacinta Turolo Garcia, reitora da USC, admira e aceita a ousadia, mas adverte bem humorada: “é claro, que não vou fazer forró lá dentro”. Mas acata a possibilidade de levar teatro, um concerto ou um fórum de debates ao local, que teria um dos maiores auditórios da cidade.

Quanto a tão polêmica cúpula inclinada, o arquiteto quis remeter a cobertura da igreja às cúpulas criadas na antigüidade, como as da Catedral de São Pedro, em Roma. “Quis instigar as pessoas para o: aonde vamos? Qual é o nosso plano de vida? Ascedente ou descendente?

A criação do vitral vem da Bulgária

As explicações que acompanham o projeto do vitral elaborado pelos artistas búlgaros Yury Vassilev e Nikolay Dratchev para a obra de Jurandyr Bueno Filho apontam que a inspiração para “fazer uma composição pouco comum” foi provocada pela original arquitetura do interior do Santuário.

Os artistas, guiados por uma recomendação de Bueno, dispuseram a figura de Jesus dominante no vitral central que irá concentrar a atenção e influenciar, espiritualmente, o público. A imagem terá a cabeça e o coração acentuados, justamente para essa sensibilização, que contará com um denso fundo azul e verde, em torno da figura, para que a silhueta de Jesus sobressaia ainda mais.

“Com o céu estrelado, queremos insinuar a infinidade do Universo e o sentir para com a Divindade. Os anjos, aos dois lados de Jesus, simbolizam a ligação entre a Terra e o Céu, na qualidade de mensageiros da vontade divina. À esquerda da figura de Jesus, a composição, em forma de casa, que reúne em si caravelas, mar, fragmentos de fortaleza e, no teto, onde, no projeto de trabalho, apresentaremos a Anunciação, simboliza o Brasil, o seu descobrimento e a consolidação da fé cristã no Novo Mundo. À direita, apresentamos a árvore da vida e da sabedoria. Que liga a Terra e o Céu, ligação essa efetuada pela Cruz Divina.”

Yury e Nikolay utilizaram-se de um humor muito sutil através da maçã e da serpente representando a criação do ser humano e ressaltando a constante aspiração em adquirir conhecimentos, “bem como a sua curiosidade para com o desconhecido e o provocativo”, explicam no texto traduzido pela jornalista Maya Daskalova Dimitrova, que tem um programa de rádio em português na Bulgária.

A obra apresentará ainda uma faixa azul simboliando as águas e as terras do Brasil, em harmonia com a arquitetura branca do santuário.

Os artistas búlgaros também tomaram a liberdade de propor a escultura de duas santas: Edith Stein e Nossa Senhora da Paz aos dois lados do vitral central. Santa Edith Stein, a patrona dos universitários e primeira filósofa do século 20, será a protetora da paróquia.

Além do gigatesco vitral, a igreja terá 28 pequenos vitrais baseados nos símbolos do Sagrado Coração.

Entretanto, o mais impactante na proposta do vitral será uma linha vermelha que começa na entrada do Santuário, e que atravessar a nave, chegando até o Coração de Jesus, simbolizando, assim, o sacrifício de Cristo para com o gênero humano.

No projeto de Jurandyr, a água faz o caminho inverso sai como sangue de Cristo derramado, que escorre pela nave e desaguando num lago de mármore vermelho natural, trazido da Armênia e água benta.

No projeto ainda será edificado um campanário com sinos e a marca da cruz. “Dessa forma, todos os elementos estarão representados: água, terra, fogo e ar”.

Após a implantação do Projeto Vitral e a aprovação do mesmo pela lei Rouanet, o arquiteto acredita que até o início de 2003 as obras sejam começadas. Dessa forma, a entrega do santuário deverá ocorrer em 2004.