09 de julho de 2026
Geral

Pequena mãe trava luta de gigante

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Uma mãe em miniatura no tamanho, mas que trava batalhas gigantes para cuidar dos seus dois filhos. Até o nome desta mulher é no diminutivo, Carmelita de Oliveira Bacelar, 42 anos, mãe de Priscila, de 15 anos, e Gabriel, de cinco meses.

Ela é anã, mas gerou duas crianças lindas e perfeitas. “Você acredita em Deus? É por ele que sou uma mãe heroína, pois é muito difícil engravidar e carregar o bebê”, comenta. Mas apesar das limitações físicas, essa mãe de pouco mais de um metro de altura está desempregada e com uma situação financeira precária.

A filha veio com ela, mas se desesperou e voltou para São Paulo, de onde vieram, na tentativa de arrumar um emprego e poder vir buscar a mãe e o irmão. Carmelita conta que ela “tomou uma atitude de adulto para resolver os problemas e realizar o sonho ver a família feliz de aprender a falar inglês”. Mas para procurar trabalho, a garota abandonou os estudos.

â€œÉ um problema a mais, ela lá eu aqui... (começa a chorar) mas como ela só faz as coisas com a minha assinatura, estou tentando trazê-la de volta, um jeito de alguém buscar.”

Carmelita está em Bauru há 15 dias, na casa de uma irmã viúva, que tem um filho e lava e passa para sobreviver numa quitinete próximo ao cemitério da Saudade. Entretanto, viveu 18 anos com o pai de seus filhos, que é alcoólatra e a bebida foi pivô de várias separações do casal.

Na última reconciliação, sentindo-se insegura para criar a filha que estava entrando na adolescência, Carmelita ficou grávida de Gabriel, mas o companheiro voltou a beber e tornou-se agressivo, com ciúme do bebê e ela decidiu romper o relacionamento com medo de que algo pudesse acontecer. “Não gosto de ninguém sob efeito de bebida, ainda mais violento.”

Drama

Além disso, outra coisa aflige a mãe de Gabriel: muitas pessoas que lhe propõem ajuda querem ficar com o bebê, que é muito bonito e tem olhos azul-turquesa dignos de capa de revista. “Se querem me ajudar, que me ajudem a cuidar dele, com ele ao meu lado. Não longe de mim. Amo meu filho e não há dinheiro que me separe dele.”

Ela até evita sair pelas ruas com o bebê por temer um sequestro ou um acidente. O carrinho do garoto está quebrado e seu peso (dez quilos) já está além dos limites da sua estrutura física.

“Tem gente que vem conversar comigo querendo ele. Enfrentei muita coisa e tudo o que mais quero e é ter um lar, minha casa, meus filhos no conforto do meu esforço”, desabafa.

Presente e futuro

Seu grande presente de Dia das Mães é conseguir um emprego fixo, pois por enquanto ela está ajudando a irmã na lavagem de roupas. “Quero cuidar do meu filho e trazer a minha filha. O certo é eu e ela junto. Eu trabalho e ela me ajuda a cuidar do bebê e mesmo que passemos por dificuldades, seremos felizes. Mas ainda não deu...”

Carmelita trabalhou por oito anos em São Paulo como cobradora de ônibus e depois disso não conseguiu outro emprego fixo. Ela fez alguns bicos para acrescentar ao pouco que o pai das crianças lhe envia.

Mãe

“Nas minhas condições, ter dois filhos me faz superar todas as dificuldades. Eu não tenho palavras para dizer como me sinto...” (chora e começa a amamentar o bebê).

Carmelita chegou a passar fome, mas nunca deixou de alimentar o filho em seu peito.

“Sofri muito, mas nem por isso o leite secou. Acho que foi por Deus. Aliás, Deus abençoou até a mão do médico que fez o parto do Gabriel (que nasceu com 3,160 kg). O meu filho é uma luz, que veio num momento bem escuro”, reflete.

Ela justifica a gravidez e o nascimento do filho saudável e perfeito como “coisa da natureza”, que nem ela sabe explicar. “A mãe não teve problemas físicos e diz que até o nono mês pegava ônibus, mas enfrentou a fome, o desemprego e o desespero.

“A vida tem dois lados: o bom e o ruim. As vezes faltam as coisas e não consigo cuidar de meus filhos como queria cuidar. Não gosto de comodismo e eu vou agir. Estou desesperada, mas não perdi nem a fé, nem a esperança.”