08 de julho de 2026
Regional

Nova eleição divide a pequena Balbinos

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Balbinos - Apesar de ser uma das menores cidades do Estado de São Paulo, há quatro anos Balbinos está afundada em uma crise política de dar inveja a grandes metrópoles. Desde a cassação do ex-prefeito José Carlos Garzin, em agosto de 1998, a cadeira do prefeito já foi ocupada por três pessoas.

O resultado mais visível das cassações e impugnações que tomaram conta do prédio da Prefeitura Municipal está no “cansaço” de parte dos 1,3 mil habitantes com a indefinição no comando da cidade. A penúltima “novidade” foi divulgada no último dia 6: o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou nova eleição para prefeito e vice-prefeito para o próximo dia 16 de junho. E a última, comunicada pelo TRE anteontem, foi que Mário Luizão (PTB), nome certo para disputar a nova eleição, não vai poder concorrer.

Atualmente, a “Caçula da Noroeste”, como Balbinos era conhecida em outros tempos, está sendo administrada por Ed Carlos Marin (PSDB), presidente da Câmara e prefeito interino. Com a impugnação da candidatura de Luizão, PSDB, PTB e PDT, em reunião realizada na noite de anteontem, resolveram coligar-se em torno da continuidade de Marin.

O atual administrador, por sua vez, acredita que a população da cidade não gostaria de passar por mais uma eleição e, novamente, reviver o clima de instabilidade. “O que eu ouvi mais por aí é que o povo não queria outra eleição”, relata Marin.

Segundo ele, Balbinos está tendo vantagens em ter um prefeito - mesmo que interino - afinado com o governo estadual, o que já teria rendido, nos últimos meses, veículos e máquinas para a prefeitura e verba para área social.

Para Marin, a falta de indústrias e, conseqüentemente, a falta de empregos, está sendo um dos principais problemas da cidade. Atualmente, Balbinos tem apenas duas indústrias. “Tem desemprego na cidade, mas qualquer indústria de 40, 50 empregos resolve o problema de todo mundo no município”, afirma.

Marin pensa também em outra solução para a cidade, algo que poderia gerar protestos em outro lugar, mas que, em Balbinos, seria de grande valia. “Temos que tentar trazer uma penitenciária para o município, para ver se cria emprego aqui”, diz o prefeito interino.

Família

A população de Balbinos divide-se quando o tema é a nova eleição. A maioria das pessoa ouvidas pelo JC não quer se identificar, e algumas delas preferem até não opinar para não se envolver - reflexo de uma cidade em que os moradores, se não vizinhos ou parentes, se conhecem bem.

O pai de Marin, o aposentado Geraldo, 67 anos, acredita que a nova eleição vai beneficiar a cidade, apesar do risco de o filho não se eleger prefeito. Para Geraldo, o fato do prefeito não saber se vai acordar prefeito inviabiliza uma boa administração. “Eu acho uma boa essa nova eleição, tem que resolver esse problema do município”, ressalta.

Já o tratorista Odair Guimarães, 26 anos, tem outra opinião. Ele acredita que uma nova eleição iria por em risco o governo que está se firmando atualmente. “Eu acho que não devia fazer não; do jeito que está, está bom”, diz.

José Roberto Muniz, 47 anos, diz que “muita coisa errada” acontece em Balbinos. Para ele, o tamanho reduzido da cidade não comporta uma crise política como a que se arrasta na cidade há quatro anos. “Pela cidade ser pequena, é muita coisa; mas, para falar verdade, prefeito titular nós não temos”, pondera.

Na opinião do aposentado Miguel Pereira da Rocha, 74 anos, a situação é até mais problemática do que parece. Segundo ele, a questão não é ter eleição ou não, mas sim saber se o prefeito vai conseguir comandar a cidade depois de eleito. “Se o cara não administra uma cidade pequena como essa daqui, ele não administra nem a casa dele; eu considero isso aqui uma família”, resume.