08 de julho de 2026
Articulistas

O risco Brasil

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

O mercado está tenso porque o risco Brasil alcançou 949 pontos. Com isso a bolsa oscila muito e o dólar sobe. Mas afinal o que é esse risco Brasil? O risco de um país é medido pela confiança (ou desconfiança) dos investidores.

Essa medida está na avaliação se um país é capaz ou não de pagar seus compromissos assumidos com o comunidade financeira internacional, ou seja, se honrará ou não suas dívidas. Quanto mais alto for o risco, maior será a taxa de juros para renovar ou tomar empréstimos no Exterior.

Ele é calculado a partir de uma comparação entre o juros que um país paga por um título de sua dívida com relação ao que o tesouro dos Estados Unidos paga pelos seus, considerados de risco zero. Quando se divulga a pontuação já há o indicativo de qual é a taxa de juros do país. No caso do Brasil, 949 pontos representam juros anuais de 9,49% (949 dividido por uma base 100).

Há várias agências de análise de risco. Essas agências avaliam fatores internos e externos para, em seguida, emitir seu parecer sobre o risco do país. No caso brasileiro, a elevação da pontuação pode ser atribuída a:

1- Eleições. Boa performance do candidato da oposição, Lula, que na visão externa pode implementar mudanças estruturais no modelo econômico atualmente adotado no Brasil;

2- Inflação. Receio que haja perda de controle sobre essa variável;

3- Contas externas. Dificuldades do país em aumentar o superávit comercial;

4- Queda da produção industrial. O fechamento do primeiro trimestre não foi bom;

5- Contágio da Argentina.

O mais importante ponto está centrado nas eleições.

E aí que não podemos concordar com essa elevação do risco Brasil.

Primeiro porque ainda as candidaturas não são definitivas. Todos são pré-candidatos. Fale-se, inclusive, em acordo, em PT e PSDB. Além disso, os candidatos ainda divulgaram em detalhes as propostas para a área econômica. Entender que só por ser de esquerda, o PT, se chegar ao poder, irá quebrar toda a espinha dorsal do atual modelo de estabilização, é no mínimo não entender de Brasil.

Há sim um grande fator: especulação, e esse vai ao encontro do interesse de muitos agentes econômicos que querem obter o ganho fácil. Apesar disso, o risco aumentou, está na mídia, e na dúvida todos preferem se proteger (hedge) e essa proteção se dá com moeda estável, no caso o dólar. O lamentável é o atual governo ter tido quase 8 anos para sustentar o crescimento do país, e depois desse período todo somos obrigados a conviver com tanta volatilidade.

De qualquer maneira, o indicativo é que devemos ficar fora desse fogo cruzado e que essas agências entendam mais de Brasil, pois o quadro econômico, os fundamentos econômicos de hoje, são muito parecidos de alguns meses atras e naquele momento o dólar estava em queda. Será que o PT assusta tanto? (Reinaldo Cafeo - é economista - Delegado do CORECON - Professor na ITE)