O pedreiro Antônio Milton dos Santos Muniz, 36 anos, teve muita sorte e saiu apenas com escoriações leves de um acidente de trabalho ocorrido por volta das 15h10 de ontem, em Bauru. Ele ficou mais de uma hora e meia soterrado no canteiro de obras do Hospital Regional, localizado na avenida Edmundo Coube, ao lado do Núcleo Geisel, onde prestava serviços.
Durante a operação de salvamento, que envolveu dez bombeiros, Muniz respirou através de um balão de oxigênio. O pedreiro foi internado no Pronto-Socorro Central, mas seria liberado ainda ontem, segundo Wellington Poli, gerente de vendas da Manzano, empresa de São Paulo para qual ele trabalha.
Muniz estava dentro de uma escavação com cerca de 3,5 metros de altura, aberta para fazer obras de tratamento de esgoto, quando a terra acumulada em uma das laterais do buraco desabou. “Ele ficou debaixo de cerca de 90 centímetros de terraâ€, conta o também pedreiro Sebastião Alves do Nascimento, que ajudou a retirar a terra de sobre a cabeça do colega, para que ele respirasse, até a chegada dos bombeiros.
Outros dois pedreiros, que estavam na escavação, conseguiram sair rapidamente quando viram a terra desmoronando. “O mais difícil foi porque não dava para ver onde ele (Muniz) estava debaixo da terra. Então cavamos com a mão, a pá e tudo o que tinha pela frenteâ€, conta Nascimento.
Mesmo sem conhecer o pedreiro soterrado, vários trabalhadores da obra, de outras empresas, ajudaram no socorro. “Tivemos que juntar em três para tirar um torrão grande de terra que estava sobre eleâ€, afirma o servente Genildo Isidoro Silva, que também ajudou até a chegada dos bombeiros.
Na ansiedade de retirar a terra de cima de Muniz, os operários usaram até uma retroescavadeira. O uso da máquina, no entanto, poderia ter causado outro acidente, alerta o técnico de segurança de trabalho da obra, Cícero Laurindo da Silva. “O desmoronamento ocorreu quando eu havia saído para buscar uma fita e isolar a área. Quando voltei ele já estava debaixo da terraâ€, explica.
Mas o ajudante geral Claudemir Damasceno ressalta que se os operários não agissem rápido o colega poderia ter morrido. “Ele já estava sem respiração. Se a gente esperasse os bombeiros chegar, ele poderia morrerâ€, diz. A sorte de Muniz, segundo Damasceno, foi o capacete ter protegido o rosto, formando uma bolha de ar.
Os bombeiros demoraram cerca de 1h40 para tirar Muniz da escavação. “Tivemos que fazer o escoramento do solo, para evitar novos acidentes. Como ele estava com asfixia mecânica, a primeira providência foi liberar a caixa toráxica, para que voltasse a respirar. Enquanto isso, usamos o balão de oxigênioâ€, conta o tenente Marcos Ricardo Poloniato, do Corpo de Bombeiros.
A maioria dos aproximadamente 400 operários que trabalham na construção do Hospital Regional, apreensivos com o acidente, parou o serviço para acompanhar o resgate do colega. O gerente de vendas da Manzano ressalta que o acidente foi uma fatalidade. “Não sabemos ainda o que ele (Muniz) estava fazendo dentro da escavaçãoâ€, diz. Ontem era o primeiro dia de trabalhos da empresa no canteiro de obras.