08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Raízes das dívidas sociais


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As raízes estruturais têm dois feixes básicos: a herança cultural e a exploração capitalista. Na herança cultural temos 500 anos de esmagamento das manifestações populares, por processos de manipulação, cooptação, desqualificação, repressão e aniquilamento físico e psico-social. Fazem parte deste feixe de raízes da negação tradicional da cidadania; o desrespeito, a desvalorização e a exploração das culturas indígenas, negras e populares; a negação de oportunidades de alfabetização e estudo; o controle da informação e o impedimento do direito de livre comunicação; o preconceito e a discriminação, principalmente contra os negros e as mulheres; o menosprezo às manifestações locais e o esmagamento da individualidade e criatividade. O respeito e a promoção dos bens culturais e espirituais, característicos de cada povo, continuam sendo uma enorme e grave dívida social para com a maioria da população brasileira.

O feixe de raízes referentes à exploração capitalista encontra seu núcleo no modo como funciona a economia. Pode-se começar com tudo aquilo que as elites dominantes, empresários, banqueiros, grandes proprietários e grupos políticos no poder, não pagam às diferentes categorias de trabalhadores, impedindo-os de atenderem suas necessidades vitais e as dos seus dependentes. É a apropriação indébita do trabalho humano. Outra raiz deste feixe está no que, como e no para quem produzir, no campo e na cidade, impedindo que uma parcela significante da população tenha acesso ao trabalho e à terra.

Agravando estas raízes estruturais, a implementação do projeto neoliberal provoca o crescimento assustador das dívidas sociais. E isso ocorre pela especulação desenfreada do capital financeiro, pelo novo endividamento externo, pelo desmonte do Estado, pela eliminação do patrimônio público com as privatizações de estatais lucrativas, pelo desmantelamento do parque industrial, pela precarização ainda maior das relações trabalhistas, pelo desemprego e deterioração da qualidade dos empregos, pelo mau uso e “empréstimos” (caso Proer, entre outros) de recursos públicos à elites, com prejuízos crescentes das políticas públicas e sociais.

Grupo de Cidadania, Paróquia Nossa Sra das Graças. (Estela de Santo -RG. 13.908.014)