09 de julho de 2026
Geral

Protesto impede descarga de caminhões na Ceagesp

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de moradores fez um protesto, ontem à tarde, contra poluição ambiental em frente à Central de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) de Bauru, que fica na quadra 6 da avenida Waldemar Gonçalves Ferreira, no Jardim Marilu.

Com um carro deixado estacionado em frente ao portão da empresa, os manifestantes impediram a entrada de vários caminhões carregados com milho. A Ceagesp informa que está comprando filtros para a unidade de Bauru. “Vamos avaliar a situação e se o amido de milho estiver causando problemas aos moradores teremos que suspender as atividades até que o filtro seja instalado”, diz Luiz Eulálio Kannebley, representante da Ceagesp na região de Bauru.

A Ceagesp, que pertencia ao governo do Estado de São Paulo mas atualmente é controlada pela União, limpa, seca, faz tratamento contra pragas e armazena cereais. A reclamação dos moradores do Világio Via Verde, um condomínio de 61 casas habitado principalmente por professores, localizado ao lado dos armazéns, é por causa da liberação de partículas de milho (amido) no ar, o que estariam causando doenças respiratórias.

Luzia Quinezi, que mora no condomínio, conta que a emissão de partículas de milho aumentou muito nos últimos dias. “Moramos aqui desde setembro, mas agora a situação está pior. Esse pó branco está acentuando bronquites e outras doenças alérgicas. E quem não tinha problema, está espirrando sem parar, além da sujeira que deixa em todo lugar”, reclama.

Os moradores querem, com o protesto, a colocação de filtros na Ceagesp. “Eles têm que pôr filtro porque dessa maneira está causando poluição”, completa. Após cerca de meia hora de protesto, a chegada da Polícia Militar e uma rápida conversa com uma funcionária da Ceagesp, os manifestantes liberaram a entrada e saída de veículos da empresa.

Porém, Duílio Duka de Souza, outro morador do condomínio, afirma que se a emissão de pó não cessar e a Ceagesp não instalar filtros, será feito um protesto ainda maior. “Se não tomarem providências, daqui a 15 dias vamos fechar a entrada da empresa com moradores”, ameaça.

Edvaldo Silva de Oliveira, que também mora no condomínio, credita ao pó emitido pela Ceagesp os freqüentes problemas respiratórios de sua filha de 7 anos. A aposentada Margarida Alves Quinezi reclama que havia melhorado consideravelmente da bronquite, mas a doença voltou. “Depois de um longo tratamento, eu já estava bem, mas tive até que comprar uma bombinha para respirar”, diz.

Vários caminhões carregados de cereais tiveram que aguardar o fim do protesto na avenida para serem descarregados na Ceagesp. Outros dois veículos, já vazios, foram impedidos de sair da empresa até o fim da manifestação.

De acordo com Kannebley, no ano passado, a Ceagesp fez um projeto para controlar poluição em todas as unidades em funcionamento, incluindo a de Bauru. “A licitação para aquisição de filtros já foi feita, mas empresas que perderam entraram com recurso, o que retardou o processo”, conta.

O filtro evitaria, de acordo com ele, a dispersão das partículas de cereal no ar. O gerente da Ceagesp frisa que as partículas emitidas são do próprio cereal, não havendo produto químico. “Acreditamos que um mês o filtro seja instalado. Até então, se não tiver outro jeito, vamos parar o processamento de cereais”, diz.

Unidade atende a região

A Ceagesp de Bauru tem capacidade para armazenar até dez mil toneladas de grãos, de acordo com Luiz Eulálio Kannebley, representante da empresa na região. Ele explica que após passar para o controle da União, a unidade da Ceagesp de Bauru foi desativada, assim como outras do Estado.

“A Ceagesp foi passada para o Governo Federal em troca de dívida do governo do Estado com a União. Seria privatizada, o que ainda não ocorreu por uma série de problemas. Então, algumas unidades, que vinham acumulando prejuízos, que é o caso da Ceagesp de Bauru, foram desativadas”, conta.

A unidade de Bauru voltou a funcionar no final do ano passado, a pedido dos produtores de grãos da região, segundo Kannebley. “Foi um pedido dos moradores, que precisam de armazéns para estocar o produto e vendê-lo na entressafra, quando o preço é melhor”, frisa. Todos os serviços oferecidos são cobrados.