08 de julho de 2026
Polícia

Telefonica e polícia caçam 'gatos'

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Além das gambiarras para usar energia elétrica e água de graça, há uma outra, semelhante, para não pagar a conta de ligações telefônicas. Nos últimos dias, a Polícia Civil registrou pelo menos cinco casos de ligações derivadas de telefones públicos (TPs), os orelhões, para residências e estabelecimentos comerciais, feitas clandestinamente em Bauru.

A reportagem apurou que a Telefonica está investigando 1.032 linhas na cidade, todas suspeitas da mesma irregularidade, também chamada de “gato”.

O delegado Ronaldo Divino, titular do 1.º Distrito Policial, que registrou quatro casos semelhantes nos últimos dias, frisa que fazer e usar a gambiarra configura crime. “O responsável pela gambiarra ou pelo imóvel onde a linha está instalada responde inquérito por furto na modalidade energia, que é usada para coisas móveis”, esclarece. “A pena é de um a quatro anos de reclusão”, completa.

A gambiarra é uma forma ilegal de não pagar a conta das ligações feitas, uma vez que não recebe a conta e não precisa usar ficha ou cartão. “Usando uma linha derivada de um orelhão, a pessoa pode fazer ligações locais, interurbanos e internacionais e não recebe a conta”, explica um técnico da Telefonica ouvido pela reportagem. Bauru tem 9.557 orelhões, que podem ser usados para gambiarras.

Um desses casos foi confirmado ontem, no Jardim Ferraz. Da linha de um orelhão instalado na quadra 1 da rua Matheus Tarzia, ainda no poste, funcionários da Telefonica e a Polícia Técnica constataram que havia uma derivação para um estabelecimento comercial que fica na quadra 20 da avenida Castelo Branco.

A Polícia Técnica entrou no estebelecimento e encontrou uma linha, da qual fez uma ligação, para um celular com identificador de chamada. O número que apareceu no celular é o mesmo do orelhão, que fica do outro lado da rua. Após a constatação, foi elaborado boletim de ocorrência e o responsável pelo imóvel vai responder inquérito por furto.

A suspeita é que a gambiarra estava funcionando há quatro meses e causou um prejuízo de aproximadamente de R$ 900,00 à Telefonica. “A Telefonica tem um mecanismo para descobrir esse tipo de ligação clandestina. Então, não adianta querer fazer ligações sem pagar porque, mais cedo ou mais tarde, o cidadão será descoberto e corre o risco de ser preso”, esclarece Divino.

Além disso, ressalta o delegado, a empresa de telefonia pode entrar na Justiça para cobrar do responsável pela gambiarra todas as ligações não pagas e despesas causadas pela linha clandestina.

A gambiarra também pode causar prejudicar os usuários do orelhão de onde a linha foi derivada. A reportagem apurou que se a linha clandestina estiver sendo usada, o orelhão fica mudo. O usuário pode achar até que é um problema do orelhão porque não consegue linha, mas é porque ela já está sendo usada.

Lázaro Gomes de Moraes, que trabalha em frente ao orelhão da quadra 1 da rua Matheus Tarzia, atesta que é freqüente os usuários reclamarem que o aparelho não está funcionando. “Algumas pessoas até pedem para usar o telefone aqui da loja porque dizem que a linha está ocupada ou o aparelho está com defeito. O mais estranho, no entanto, são as ligações feitas para esse orelhão. A gente atende e quem liga pede para falar com pessoas que não sabemos quem é”, diz.

As gambiarras são descobertas através do sistema automático de checagem das ligações feitas a partir de telefones públicos. “A central compara os créditos que entram com os pulsos gastos em cada orelhão. Se entraram 50 créditos - de ficha ou cartão - e foram gastos 100 pulsos em um dia, por exemplo, é sinal que houve evasão de 50 pulsos. Isso significa que foram feitas ligações não taxadas que gastaram 50 pulsos”, explica o técnico da Telefonica.

Nesses casos, se não for defeito do orelhão, a diferença é devido a gambiarras. A reportagem apurou que das últimas 150 linhas suspeitas de estarem funcionando clandestinamente na cidade, em 70 delas foram confirmadas a existência de gambiarra.

Vandalismo

A assessoria de imprensa da Telefonica informa que, como gambiarra é crime, esses casos são encaminhados à polícia. A empresa diz que tem adotado uma série de medidas para reduzir os atos de vandalismos em orelhões - o índice é de 25% dos aparelhos por mês.

Uma das medidas é a instalação de leitoras autolimpantes que resolvem automaticamente boa parte dos problemas, como a inserção de cartões quebrados ou de objetos estranhos. A empresa também tem instalado suportes antivandalismo, para impedir o acesso aos fios.