07 de julho de 2026
Política

Lula ainda quer PSB e PPS com PT

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Pregando um discurso de aglutinação das forças de esquerda ainda no primeiro turno, o pré-candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse ontem, em Bauru, que não tem inimigos políticos na eleição deste ano, mas “adversários eleitorais”. “Eu ainda acredito que poderão acontecer novidades na política nacional até o dia 6 de junho, quando ocorrerão algumas convenções oficiais de partidos.”

Ele se reuniu com cerca de 500 militantes petistas - estimativa da Polícia Militar - na Casa do Cursilho da Diocese, acompanhado do pré-candidato ao Governo do Estado, José Genoíno (PT), e do pré-candidato ao Senado, Aloízio Mercadante (PT).

Para Lula, a eleição deste ano é atípica. “Nós não temos inimigos nas eleições. Estamos trabalhando com adversários eleitorais. Porque aqui nesta mesa quase todos já estiveram juntos com José Serra em algum movimento neste País, já estivemos juntos com o Ciro Gomes e também com o Anthony Garotinho.”

José Serra (PSDB), Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS) também são pré-candidatos à Presidência da República. O discurso defensivo do petista remete à possibilidade de possíveis alianças ainda no primeiro turno, embora o quadro político atual aponte para coligações na segunda etapa das eleições. “Nós já fomos aliados em muitas batalhas por este País afora, sobretudo na corrida da democracia.”

Lula reforça sua posição afirmando que vai tratar os três com “muita deferência”. “Vou tratá-los com muito respeito. Vocês vão ver, mais uma vez, que nós do PT vamos tentar elevar o nível do debate político. Não aceitarei jogo rasteiro de quem quer que seja, não aceitarei baixo nível e não destratarei meus adversários. A não ser que seja ofendido na minha honra.”

O presidenciável diz que está preparado para fazer um debate político de alto nível e “bater” somente nos momentos dos debates.

“Cada candidato vai poder expor aquilo que acredita, aquilo que pensa, aquilo que construiu e aquilo que, efetivamente, pretende realizar. Eu me preparei muito para esse momento. Possivelmente não há, na história do Brasil, alguém que tenha produzido a quantidade de propostas de políticas públicas alternativas para este País. É com isso que eu pretendo trabalhar para ganhar as eleições.”

“Esperança”

O petista diz que ainda tem esperanças de aglutinar as candidaturas de esquerda no primeiro turno. “Pode parecer difícil, mas não é impossível. A única coisa impossível no mundo é Deus pecar. O resto, tudo pode acontecer. Nós vamos trabalhar com a hipótese de que isso possa acontecer.”

Ele acredita que as alianças têm chances de ocorrerem ainda no primeiro turno das eleições. “Se vocês pegarem a somatória das intenções de votos do PT, do PSB e do PPS chega-se a conclusão de que ultrapassamos os 70%. Portanto, é um indicativo extraordinário para que estivéssemos juntos.”

O presidenciável afirma que a outra chance de agrupar os partidos de esquerda é o segundo turno. “Temos uma grande possibilidade no segundo turno. Se a aliança não acontecer no segundo turno, temos uma terceira oportunidade, que é ganhar o governo e ter que trabalhar junto com esse companheiros para poder governar bem o País.”

Estabilização

Para o petista, a estabilização da economia e o controle da inflação são conquistas da sociedade brasileira. “Todos nós vamos lutar para que a inflação seja banida da nossa história. A estabilidade tem que continuar com o crescimento da economia.”

Lula acha que esse mérito da estabilização econômica foi comprometido com o equívoco do presidente Fernando Henrique Cardoso que, na sua opinião, não soube aproveitar o primeiro ano do Plano Real para introduzir uma política de crescimento industrial.

“O governo subordinou a nossa estabilidade ao capital externo, a uma política de juros altos e à venda de patrimônio público. O Brasil precisa de um outro modelo econômico. Precisamos incentivar as pequenas e médias empresas; precisamos de uma política de desenvolvimento que leve em conta a desoneração dos juros da produção e das exportações; acabar com o efeito cascata no Confins e na CPMF.”

Lula avalia que o Estado deve ocupar um papel importante nesse modelo de desenvolvimento. “Esse modelo deve vir acompanhado da geração de empregos, da distribuição de renda, que é o que garante a melhoria na qualidade de vida.”