A três dias de completar quatro anos de existência, a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que estabelece os padrões para a implantação das lombadas continua sendo amplamente desrespeitada no País. Somente em Bauru, mais de 61% dos obstáculos viários são irregulares.
A regulamentação número 39, em vigência desde 21 de maio de 1998, prevê a existência de dois tipos de obstáculos e determina onde ambos devem ser instalados. Entretanto, apesar da legislação obrigar a padronização das lombadas, não é o que se vê na prática em boa parte das ruas bauruenses. Por onde se roda com o carro, é possível encontrá-las nas mais variadas dimensões e em locais completamente desnecessários.
Exemplo disso ocorre no cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Amazonas, onde há uma verdadeira “aberração†viária. Além de estar localizado em uma esquina que conta com dois semáforos, o obstáculo está fora das dimensões legais (1,80 metro de largura e 14 centímetros de altura), conforme medição efetuada pela reportagem do AutoMercado & Cia.
Em situação ainda pior encontra-se a lombada situada na confluência das ruas Joaquim da Silva Martha e Manoel Pereira Rola. Como se não bastasse o agravante de estar em uma esquina, suas dimensões tornam-se uma verdadeira “agressão†ao automóvel e ao motorista: 2,05 metros de largura e 15 centímetros de altura.
Segundo levantamento executado pelo Departamento de Sinalização Viária (DSV) da cidade, das 625 lombadas existentes nas ruas bauruenses, pelo menos 384 - cerca de 61% - precisam ser retiradas ou refeitas por se encontrarem fora das normas exigidas pelo Contran. O diretor do DSV, Nelson Lira, reconhece o problema e ressalta que a maioria delas está localizada fora da área central. “Elas estão mais concentradas nos bairrosâ€, diz.
Ele acrescenta que ainda foram contabilizados entre os irregulares alguns construídos para canalizar a água. Diante disso, Lira afirma que o órgão está providenciando uma recontagem dos obstáculos para estabelecer as prioridades de retirada. Para isso, conforme o diretor, o órgão conta com o auxílio da Secretaria de Obras. “Ela executa os serviços conciliando o cronograma da pasta e as nossas necessidades. Além disso, estamos adquirindo uma máquina mais apropriada à tarefa de remoçãoâ€, diz Lira.
O diretor, apesar de não saber informar o número total de lombadas que já teriam sido retiradas durante a atual administração citou os locais onde tal serviço já teria sido executado: quadras um da rua Inconfidência e Alto Purus, quadra dois da rua Presidente Kennedy, quadra três da rua Silva Jardim e quadras dois, quatro, nove e 14 da avenida Castelo Branco.
Lira diz que o novo Código de Trânsito prevê que as lombadas podem ser colocadas até em cruzamentos, desde que obedeçam uma distância mínima de 15 metros do alinhamento da via. “Podemos até ter obstáculos que estejam próximos a esse padrão, mas devido à sua localização acabam tornando-se irregularesâ€, afirma. Questionado sobre a lombada no cruzamento da Amazonas com a Duque de Caxias, Lira é enfático: “Nesse caso, a lombada tem de ser retirada, pois não há motivo para ela existir ali.â€
O titular do DSV esclarece, também, que nem todos os locais podem receber lombadas, como muitos bauruenses solicitam freqüentemente aos vereadores. “O Código, em princípio, proíbe a utilização de tais redutores de velocidade, mas abre exceção para alguns locais recebê-los, desde que devidamente autorizados por órgão regulamentadorâ€, conclui ele.
Eficiência
O tenente Jorge Luís Dias, da 4.ª Companhia de Trânsito de Bauru, considera que as lombadas são instrumentos eficientes para se evitar acidentes, mas faz ressalvas. “Elas realmente são eficazes para reduzir a velocidade dos veículos nos locais onde existe a possibilidade do condutor aumentar em demasia a velocidade do seu automóvelâ€, frisa ele. E acrescenta: “Entretanto, elas devem estar de acordo com as normas do Contran para que não causem nenhum mal aos carros.â€
Segundo o tenente, o Código de Trânsito não proíbe a utilização das lombadas. Nesse sentido, argumenta ele, os artigos 94 e 334 são claros. “Ele proíbe apenas as irregularesâ€, destaca o policial militar. Dias explica, ainda, que há como identificá-las visualmente. “As que se encontram dentro das especificações legais são bem suaves. Já naquelas fora das normas, principalmente as muito altas, o condutor sentirá o carro raspando o assoalho sobre elaâ€, afirma ele.
Para Jorge Luís, apesar de ter regulamentado a utilização das lombadas, o Contran também as restringiu em demasia. “Elas são os únicos recursos para os municípios que não têm condições de adquirir as eletrônicas. A resolução criou muitos critérios para que os obstáculos sejam colocados, mas creio que deveria haver um pouco mais de liberdade para os órgãos de trânsito as implantarem.â€
Ele considera que a lombada eletrônica é um meio muito mais eficiente para se reduzir os acidentes. “Ela proporciona redução de velocidade sem obstáculos, sem causar danos aos veículos e é mais educativa. Apesar do seu custo ser bem mais elevado em relação à convencional, ela é viávelâ€, diz ele.
Danos aos veículos
Segundo Fernando César Guedes, um dos proprietários do Dacar Centro Automecânico, as lombadas, quando fora das especificações, podem danificar vários componentes dos veículos. Mas a parte mais afetada, conforme ele, acaba sendo a suspensão, principalmente os amortecedores, buchas e pivôs. “Também podem ser prejudicados a caixa de direção e a transmissão. Além disso, dependendo do impacto e da própria lombada, há o risco de furar o cárter do motorâ€, destaca.
Fernando ressalta, ainda, que um hábito muito comum entre os motoristas pode acarretar sérios problemas aos automóveis: atravessar as lombadas diagonalmente. “Agindo assim, o condutor estará submetendo seu veículo a uma torção desnecessária e comprometerá toda a estrutura do carro. Com o tempo, os pontos de solda vão soltando e o carro se tornando barulhento, cheio de vibrações e desalinhadoâ€, alerta ele. E complementa: “O correto é passar com as quatro rodas retas nas lombadas.â€
O mecânico explica que, ao ser surpreendido por uma lombada, o condutor deve agir da mesma maneira ao passar repentinamente por um buraco. “Ele deve frear o máximo que conseguir e, no momento de passar sobre ela, tirar o pé do freio e acelerar levemente para que a frente do veículo levante. Nunca se deve passar na lombada freando o automóvel.â€