09 de julho de 2026
Geral

Carroceiros temem fim da atividade

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Os carroceiros de Bauru estão preocupados com o futuro da atividade. Depois que a Organização Não-Governamental (ONG) Mountarat passou a atuar na cidade, o número de animais usados para tração apreendidos cresceu drasticamente.

O presidente da Associação dos Carroceiros da Zona Leste, Aparecido Quirino Cláudio, não sabe informar quantos trabalhadores ficaram sem os animais, mas estima que uma boa parcela esteja sofrendo repreensões por conta do estado de seus animais. “A gente não tem meios para fazer um levantamento, mas acredito que grande parte das pessoas que vivem desse ofício está preocupada em sair às ruas”, diz.

A ONG, que tem como delegada na cidade Damair Pereira de Almeida, tem como objetivo preservar a integridade física dos animais. “Quando eu vejo ou fico sabendo que um animal está sendo maltratado eu denuncio para a polícia”, conta a delegada.

De acordo com ela, apenas 20% das pessoas que possuem carroça a usa como instrumento de trabalho. “Tem muita gente usando carroça para outras finalidades”, salienta.

Damair explica que essa parcela dos carroceiros é formada por pessoas que não têm nenhum tipo de comprometimento no cuidado com os animais. “Quem usa para trabalhar, preserva, cuida, não maltrata”, destaca.

O objetivo da ONG seria coibir esse tipo de abuso contra o animal. “Queremos organizar a categoria, para diminuir consideravelmente o número de carroceiros em Bauru, deixando na ativa somente aqueles que têm na carroça o seu meio de vida”, ressalta.

Através da ONG, Damair sugeriu à Câmara Municipal a criação de uma legislação que regulamente o trabalho dos carroceiros.

A sugestão foi apresentada ao vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), mas só poderá dar entrada no legislativo se tiver como autor a Prefeitura Municipal.

Apesar dos argumentos de Damair, Cláudio reclama que muitos trabalhadores estão ficando sem o ganha-pão devido às apreensões dos animais. “Eles não deviam tirar o cavalo de quem está trabalhando. Se acham que o carroceiro está maltratando o animal, então eles deveriam conscientizá-lo disso, ao invés de recolher o seu instrumento de trabalho”, frisa.

Visando esclarecer a categoria sobre essa nova legislação, Cláudio está tentando organizar uma reunião. Ele entrou com um requerimento junto à prefeitura solicitando um local para realizar o encontro e aguarda uma resposta.