09 de julho de 2026
Esportes

Trabalho social forma campeões

David Cintra
| Tempo de leitura: 2 min

Não é necessário muita pesquisa para se constatar que as periferias das grandes e médias cidades brasileiras são mais conhecidas por seus altos índices de criminalidade do que pelos dotes esportivos de seus moradores. No entanto, alguns cidadãos lutam para tentar mudar esta realidade.

Em Bauru, na Vila Nova Esperança, um professor de karatê é um desses batalhadores solitários. O professor Edson Correia dos Santos dá aulas para crianças do bairro e já começa a colher resultados.

No mês passado dois alunos da Associação Shotokan de Karatê Do, que funciona no Centro Comunitário Alberto Segalla, conquistaram medalhas de ouro no 10º Campeonato CEMC de Karatê, disputado em Caçapava.

Stephanie Carvalho Pantaleão, de nove anos, e Leandro Carneiro Alves, 16, brilharam na competição. A pequena Stephanie conquistou quatro medalhas - uma de ouro, duas de prata e uma de bronze - e o cinturão de campeã das campeãs. Leandro obteve duas medalhas de ouro e foi terceiro na luta dos campeões.

O professor Nelson iniciou seu trabalho na Nova Esperança há cinco anos e treina cerca de 30 alunos, dos cinco aos 29 anos de idade. O trabalho é comunitário, aqueles que podem contribuem com uma pequena taxa, mas os que não têm condições econômicas treinam de graça.

O professor Edson revelou que alguns alunos são ex-usuários de drogas. No entanto, apesar dos bons resultados, tanto competitivos como sociais, a Associação não tem apoio oficial, exceto da Federação Paulista de Karatê. "Às vezes temos de sair e vender alguma coisa na rua para poder ir para as competições", revelou Souza.

Segundo o professor todos os seus alunos têm condiçães de conquitstar medalhas em competições importantes. "Nós treinamos muito aqui. São três horas de treinamento diário", declarou.

A pequena grande campeã Stephanie é a maior promessa da Associação Shotokan. Ela treina há dois anos e já conquistou 16 medalhas de ouro em competições regionais e estaduais.

Um tanto tímida, ela revelou à reportagem do JC que começou a treinar depois que viu seu irmão frequentar as aulas na Shotokan. "Eu vim assistir e vi que era legal", contou a karateca.

Stephanie contou ainda que o esporte melhorou sua vida. "O esporte é importante para a saúde e também se alguém mexer comigo eu vou saber me defender", disse.

O professor Edson trabalha como mototaxista e tem o auxílio de sua esposa, Michele, para comandar a Associação. Como não é um trabalho sem custos, o casal pede a empresários interessados em patrocinar um trabalho praticamente pronto que procurem o Centro Comunitário. Um reforço financeiro certamente ajudará a melhorar os resultados.