09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Adeus, senhor Alencar!


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Certa vez perdi um aluno em estúpido acidente e, ainda que sofrendo muito, tive que esconder meus sentimentos porque as críticas eram acintosas: aquele tipo de luto que me ia na alma não estava previsto em nenhuma gramática ou dicionário e, portanto, não podia existir.

Agora, outra grande perda me enluta o coração por não se encaixar em nenhuma categoria autorizada de luto. Como se diz de quem perde um amigo muito estimado, por uma doença tão traiçoeira e súbita como um acidente? Não existe nomenclatura para este tipo de luto, por alguém que não é parente, mas que em nossa vida representou quase um parente.

Neste luto anônimo, clandestino, na emoção sombria da perda, só me resta prestar homenagem àquele que em vários momentos difíceis de minha família esteve presente com sua ajuda silenciosa e pronta. Adeus, senhor Alencar! Obrigada por tudo o que fez por nós, socorrendo-nos com seu táxi em situações de emergência, a ponto de o considerarmos afetuosamente nosso “anjo da guarda”, nossa “ambulância”. Temos certeza de que, ao lado de Deus, sua bondade, seu respeito, sua seriedade, estarão regiamente recompensados.

Esperamos que sua família nos permita estar em luto pelo senhor, ainda que anonimamente, compartilhando com eles desta dor e desta saudade, assim como eles eternizando-o em nossa lembrança. (Vânia Figueiredo - cadeira 24 da Academia Bauruense de Letras)