10 de julho de 2026
Polícia

Ladrões levam até portão de casa em obra no Jd. Santa Fé

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Contando os dias para deixar de pagar aluguel, Helena Prósper Muniz teve uma surpresa desagradável ontem. O portão de sua casa, que está em fase final de construção, no Jardim Santa Fé, foi furtado durante o dia, na hora da chuva, quando ela estava na casa ao lado conversando com o pedreiro e esperando o tempo melhorar.

O portão, que Helena pagou R$ 80,00, não foi o único prejuízo. “Já furtaram a pia da cozinha, as torneiras, vaso sanitário, uma lata de tinta e até a caixa d’água que já tínhamos instalados na casa”, diz. Para entrar no imóvel, na quadra 2 da rua Guilherme Ranches, os ladrões arrombaram a porta da cozinha, que terá que ser trocada.

Helena calcula que o prejuízo com os furtos já ultrapassa R$ 500,00. E por causa dos ladrões ela está pensando em desistir de mudar-se para a nova casa, que está sendo construída com dificuldade financeira. “Terei que comprar de novo tudo o que foi furtado. Vai ser difícil e qual garantia terei que não vão levar de novo?”, questiona.

Trabalhando como acompanhante de uma idosa, Helena esperava mudar-se para a casa própria logo. “Eu queria mudar logo porque moro em casa alugada. Mas já não sei se mudo ou coloco a casa à venda embora saiba que será difícil achar negócio exatamente por causa dos furtos”, ressalta.

O portão foi furtado por volta do meio-dia de ontem, quando Helena e o pedreiro Mário Soares Silva estavam num imóvel ao lado da casa em construção, esperando a chuva passar. “Quando entramos no vizinho a casa tinha portão, mas quando saímos, depois da chuva, já não tinha mais”, conta Silva, que mora na mesma rua.

Indignado, ele frisa que ninguém viu os ladrões, que atacaram durante o dia. “O que mais estranho é que ninguém vê nada, sempre. Acho que as pessoas têm medo de denunciar os ladrões”, opina.

Ele garante que os furtos a residência no bairro são freqüentes e para não ser vítima toma medidas preventivas. “Eu não deixo a minha casa sozinha nunca. Se eu saio, fica alguém em casa. Se não tiver ninguém eles entram mesmo”, afirma listando outros casos de furtos no bairro.

Silva conta que a Polícia Militar faz rondas pelo bairro, mas não está sendo o suficiente para coibir a ação dos ladrões. “A PM, inclusive a Cavalaria, passa por aqui. Mas é só eles não passarem um dia que tem furto”, afirma.

Ele desconfia que os autores do furto são moradores de um bairro vizinho e acha que a saída é a PM fazer um arrastão no local. O tenente Renato Ramos, comandante da Base Noroeste, que é responsável pelo policiamento do Santa Fé, explica que o arrastão é inviável juridicamente.

A PM, ressalta, só pode fazer buscas nas residências mediante autorização judicial. Para isso, conta, é preciso que haja denúncia de ilegalidade em determinado local. “Também não podemos abordar todas as pessoas que encontramos nas ruas. Podemos fazer a abordagem apenas em caso de comportamento suspeito”, diz.

A orientação do tenente Renato, para tentar coibir furtos a obras, é não instalar sanitários, pias, caixa d’água, portas, janelas e tudo o que seja possível de ser removido com facilidade antes de haver uma estrutura de segurança no imóvel. “As construções são alvos fáceis porque além de ficarem sozinhas à noite não oferecem segurança, como muros altos e grades nas janelas”, ressalta.

O tenente lembra que também não devem ser deixados materiais de construção na obra enquanto o imóvel não oferecer segurança. Mauro Fernandes Domingos de Oliveira, que construía uma casa no Jardim Santa Fé, teve até o muro derrubado pelos ladrões, que levaram tudo o que conseguiram retirar da obra num verdadeiro saque.