11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Superávit é essencial para o País crescer, diz diretor da Fiesp

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

“Alcançar crescimento econômico sustentável com responsabilidade social é fundamental para o desenvolvimento do Brasil. Isso se faz a partir do superávit da balança comercial”. A afirmação é do diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Nicolau Geha.

De acordo com ele, o Produto Interno Bruto (PIB) não pode ficar abaixo de 4% ao ano e é imprescindível para o País eliminar a atual situação de dependência do mercado externo através do superávit comercial.

Geha esteve em Bauru para apresentar e discutir com empresários e com a sociedade local o documento entitulado “O Brasil de Todos Nós”, elaborado pela Fiesp e que será apresentado aos pré-candidatos à sucessão presidencial. O texto traz vários temas de discussão divididos nos seguintes grupos: políticas sociais e de emprego; ambiente institucional e reformas; política industrial e políticas de competitividade e de comércio exterior.

Consta no documento que, para alcançar o desenvolvimento sustentável, entre os anos 2003 e 2006 deverão ser criados no mínimo 4,8 milhões de postos de trabalho no Brasil e retiradas das estatísticas de probreza seis milhões de pessoas. Para a Fiesp, até 2006 o superávit comercial deve chegar próximo a US$ 17 bilhões, com base em exportações crescentes a 10% ao ano e importações abaixo dos 7% ao ano.

“O Brasil não pode ficar eternamente dependente dos rumores do mercado ou dos banqueiros internacionais, porque eles manobram os rumores à seu gosto. O chamado efeito Lula é prova disso. A única maneira de diminuir essa dependência é fazendo um superávit comercial grande, que se aproxime de 2% do PIB anual, algo em torno de US$ 15 bilhões”, diz Geha.

Para conseguir isso num espaço de aproximadamente três anos, o diretor da Fiesp afirma que é necessário utilizar políticas industriais modernas analisando as cadeias setoriais, a fim de elencar quais são mais dependentes da importação, como as de eletroeletrônicos, química e de bens e capitais. Segundo Geha, esses três setores geram déficit de aproximadamente US$ 15 bilhões ao ano na balança comercial. Ter uma política agressiva para aumentar as exportações também seria essencial.

“Inserção autônoma”

De acordo com Geha, para o Brasil ter bom desempenho dentro de um cenário globalizado não pode permanecer no sistema que ele chama de “globalização subordinada”. Para isso, o documento da Fiesp sugere a inserção autônoma do País no processo de globalização.

“Para isso, também é necessário modificar a macroeconomia brasileira. Com o atual viés financeiro, que tem taxa de juros real da Selic em torno de 20% ao ano, o Brasil não vai chegar a lugar nenhum. Nos últimos oito anos, o crescimento per capta do País foi de 0,8%. Isso é ridículo”, destaca o diretor da Fiesp.

De acordo com ele, para que o Brasil volte a registrar crescimento anual do PIB em torno de 5% a 6% ao ano, é necessário um projeto nacional, dentro de um contexto de globalização, que utilize as políticas pública, industrial, agrícola e tecnológica no sentido de recompor a capacidade de investimento do País.

“O México tem PIB bruto maior que o do Brasil. Isso é inaceitável. Em 1980, nós ocupávamos a posição de oitava maior potência industrial do mundo e caímos para a décima. Se continuar assim, cairemos para a vigésima posição. Precisamos sair em busca do tempo perdido e alcançar crescimento econômico sustentável com distribuição de renda de maneira que haja responsabilidade social”, analisa Geha.

Promover as reformas tributária, administrativa, política, previdenciária e das relações de trabalho; reduzir as taxas de juros; investir na habitação popular, saúde, segurança, transporte, educação e saneamento básico; apoiar a agricultura e o turismo também são pontos de extrema importância elencados por Geha e citados no documento elaborado pela Fiesp. Trata-se de um documento aberto para o qual o objetivo da federação é discutir os principais temas com toda a sociedade, a fim de que outras propostas prioritárias sejam incluídas.

Alca

Na avaliação do diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Nicolau Geha, no momento não é interessante a inclusão do Brasil na pretensa Associação de Livre Comércio das Américas (Alca). Para ele, a atual política protecionista dos Estados Unidos (EUA) impede qualquer possibilidade do Brasil se impor no mercado com produtos mais competitivos que os norte-americanos.

“Para qualquer acordo que o governo norte-americano fizer em nível de Alca, o Senado tem todo o direito de reformulá-lo da maneira que quiser. Ou seja, se os siderúrgicos do Estado da Pensylvania tiverem medo da entrada do aço brasileiro, ou se os plantadores de laranja da Flórida temerem a nossa força, o Senado pressionará e mudará qualquer acordo que o presidente for firmar em nome dos Estados Unidos”, aponta Geha.

Para ele, a onda “escandalosa” de protecionismo dos EUA contra as exportações de aço do Brasil seria apenas a ponta do iceberg. “Qualquer produto em que o Brasil seja mais competitivo e possa vir a ameaçar os Estados Unidos, eles irão nos bloquear. Então, não vejo vantagem de abrir o nosso mercado para eles nessas condições, quando nos setores que somos mais fortes terminamos barrados pela política protecionista norte-americana”, analisa.