A subdelegacia do Ministério do Trabalho (MT) em Bauru deu prazo para a Acumuladores Ajax apresentar, até a primeira semana de junho, os resultados de exames realizados com os 100 funcionários que trabalhavam no setor metalúrgico da empresa, interditado no final de janeiro pela agência de Bauru da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
De acordo com o titular do MT local, Sérgio Branco, o objetivo é checar se o nível de chumbo - metal que pode causar o saturnismo, doença crônica do sistema neurológico - presente no organismo desses trabalhadores está dentro do limite estipulado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que é de 60 microgramas por decilitro de sangue.
Branco afirma que a Ajax viria cumprindo com a obrigação de realizar exames de sangue em seus funcionários a cada três meses. Mas independentemente disso, a subdelegacia do MT determinou que todos os trabalhadores do setor metalúrgico fossem submetidos a novos exames, cujos resultados devem ser entregues até a primeira semana de junho.
“Entre eles, 30 funcionários que no ano passado haviam apresentado nível de chumbo no sangue acima do permitido passaram por exames complementares. Ao todo, eles fizeram testes de uréia, urina, creatinina (que atesta as funções renais) e hemograma completo. Estamos acompanhando tudo de pertoâ€, relata Branco.
“Salários em diaâ€
De acordo com a assessoria de imprensa da Ajax, do total de funcionários do setor metalúrgico da empresa, alguns estão em período de férias e outros foram temporariamente transferidos para a fábrica de baterias, que emprega 900 pessoas e funciona normalmente. A informação é de que todos estariam sendo pagos regularmente, inclusive com os mesmos salários que recebiam antes no caso dos funcionários transferidos.
De acordo com Branco, em audiência pública realizada há cerca de 20 dias com a direção da Ajax, o MT e a Procuradoria do Ministério Público do Trabalho, a empresa teria se comprometido a cumprir regularmente com o pagamento de todos os trabalhadores do setor interditado. “Até o momento, não recebemos nenhuma queixa trabalhista. Se isso ocorrer, um fiscal será imediatamente enviado à empresaâ€, diz Branco.
“Sem demissõesâ€
A assessoria de imprensa da Ajax afirma que a empresa não pretende demitir nenhum funcionário. “A empresa não pensa em demissões e quer resolver a situação o mais rápido possível para que o setor metalúrgico possa voltar a operarâ€, informa.
Segundo a assessoria, a interdição teria causado prejuízos financeiros à empresa. Contudo, os valores ainda não teriam sido calculados.
O motivo é que cerca de 90% da matéria-prima utilizada pela fábrica da Ajax na recuperação de baterias era fornecida pelo setor metalúrgico.
Com a interdição, a empresa precisou adquirir no mercado externo o material necessário para a produção da fábrica, o que gerou um aumento de custos que, segundo a assessoria, não estaria sendo repassado ao produto final.