09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Tubarão: vítima ou algoz?

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Os tubarões são o produto de mais de 400 milhões de anos de evolução, porém sua imagem sempre esteve aliada à sua agressividade. A palavra tubarão causa arrepios em muitas pessoas, alguns até evitam praias com medo de seus ataques.

Mas na verdade, esse grande caçador também é ameaçado pelo homem. No ano passado, a The Aquatic Network divulgou que cerca de 200 milhões de tubarões de diferentes espécies são assassinados todos os anos. Algumas populações desaparecem à razão de 2% ao ano. Os interesses são diversos e as técnicas muitas vezes brutais.

Além da pesca predatória de diversas espécies, que ocorre também no Brasil, existe um comércio clandestino que movimenta o mercado negro internacional. As presas do grande tubarão branco, proveniente da África do Sul, chegam a ser comercializadas a US$ 50 mil. Para adquiri-las, eles preparam um grande anzol com isca, ligado a um tambor de óleo fixo, preso a um barco, com corrente. O sistema irregular e altamente proibido tem o objetivo de retirar as madíbulas e os dentes dos grandes tubarões brancos para a comercialização.

A culinária chinesa também contribui para incentivar a pesca do tubarão, pois ele é o principal ingrediente da tradicional sopa de barbatana de tubarão, que chega a custar em Hong Hong por até US$ 90.

Apesar de sua evolução garantir características que conquistaram ao tubarão o título do mais poderoso caçador submarino do planeta, ao se confrontar seu principal predador, o homem, ele perde a batalha.

Segundo informações do pesquisador científico nível VI do Instituto de Pesca de Santos, Alberto Amorim, 53 anos, a luta do homem para conseguir proteção aos ataques de tubarão é muito antiga. Desenhos de ataques de tubarões encontrados em um vaso antigo datam de 725 a.C. “Mas na realidade, apenas algunas dezenas de casos acontecem anualmente em todo o mundo. Levando em consideração o número de surfistas, banhistas e pescadores que freqüentam o mar todos os dias em todo o mundo, os ataques são insignificantes”, comenta o pesquisador.

Em 2000, por exemplo, o Arquivo Internacional sobre Ataques de Tubarões da Universidade da Flórida (EUA) registrou 79 ataques contra seres humanos no mundo. Desse total, mais de um terço ocorreu em águas da Flórida e apenas dez casos foram fatais. Já os números referentes a “ataques” de seres humanos a tubarões são inversamente proporcional. A cada ano, cerca de 200 milhões de tubarões de várias espécies são assassinados.

Vítimas das redes

Segundo a Agência Folha, no dia 21 de maio, pescadores do Rio de Janeiro recolheram 18 tubarões da espécie galha preta nas águas da praia de Barta de Guaratiba. Do total, dez eram filhotes. Eles estavam enroscados em uma rede de pesca, jogada a 200 metros da arrebentação. Normalmente os pescadores vendem os tubarões para restaurantes do bairro.

Os tubarões são vulneráveis à pesca abusiva, pois demoram a alcançar a maturidade sexual e possuem pequena produção de filhotes. Se essa batalha entre homem e tubarão continuar nesse ritmo, futuramente não haverá predadores para contar a história e nem para protagonizar filmes de Steven Spilberg.

Fontes: Discovery Channel, Instituto de Pesca de Santos

Sugestões a banhistas e megulhadores

• Evitar o encontro com o tubarão;

• Nunca entrar na água com ferimento que esteja sangrando ou perdendo algum tipo de líquido;

• Evitar banho ou mergulho em águas turvas, pois mesmo com a visão prejudicada, seus outros sentidos estão ativos;

• Evitar mergulho ou nado à noite, muitas espécies de tubarões consideradas perigosas aproximam-se da costa e são mais ativas nesse período;

• Um peixe arpoado começa a se debater e a sangrar e torna-se uma grande atração para o tubarão. Por isso, retire o peixe arpoado rapidamente da água;

• Nunca prenda peixes ao corpo, pois é a melhor maneira de atrair um tubarão;

• Caso aviste um tubarão, retire-se da água com calma para não exercer vibrações que possam atraí-lo;

• Nunca provoque e nem dispute um peixe arpoado com um tubarão. Fonte: professor-doutor Alberto Amorim