09 de julho de 2026
Bairros

Só 16 disputam ponto no Lanchódromo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto vendedores de lanches “brigam” para fazer mais pontos e, assim, obter o direito de trabalhar nas praças Rui Barbosa, da Paz e Dom Pedro II, sobram vagas no Lanchódromo, espaço criado pela prefeitura em 1991 para ser praça de alimentação. A Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan), que está regulamentando a atividade de permissionários, recebeu inscrições de apenas 16 interessados em explorar os pontos-de-venda do espaço.

Na época da inauguração, a praça de alimentação chegou a ter 26 barracas, todas funcionando. O cenário hoje é de abandono: várias barracas foram desmontadas, dando lugar à grama e sujeira no chão. Outras barracas estão envelhecidas e até a escada de acesso tem grama alta, sem falar nos banheiros, que muitos afirmam não ter condições de uso.

“Os clientes, que lotavam as barracas, foram desaparecendo porque o Lanchódromo foi abandonado. Hoje estamos com apenas 11 barracas funcionando e mesmo assim a clientela é pequena para todo mundo. Precisamos de investimento para esse espaço”, conta Cláudio Marcos Gattini, presidente do Lanchódromo.

Como o número de interessados nos pontos-de-venda é inferior à capacidade da praça de alimentação, todos poderão obter o direito de explorar o comércio no espaço. “Não vai haver disputa de pontos no Lanchódromo. Mesmo seguindo o projeto de remodelação para a área, que prevê playground, temos vagas sobrando”, explica Maria Helena Rigitano, titular da Seplan.

Para se ter uma idéia da disputa por pontos em toda a cidade, a Seplan recebeu inscrição de 668 vendedores ambulantes e permissionários para 120 pontos em calçadas e 42 em ruas (próximo à sarjeta). “Se apresentarem o atestado de antecedentes criminais, última etapa do processo de seleção, todos os 16 inscritos para o Lanchódromo serão classificados”, diz.

Para Lalá Alves de Paula, que tem uma barraca no Lanchódromo desde a inauguração do espaço, a clientela só voltará após uma reforma geral. “Mas nós (donos das barracas) não temos condições de pagar mais nada. Trabalhamos a noite toda para vender R$ 20,00, R$ 30,00. Já pagamos um absurdo de água e luz. A conta de água deste mês foi de R$ 120,00 para cada barraca. Quem deve arcar com isso é a prefeitura”, afirma.

Os clientes, que há uma década chegavam a esperar em pé por uma mesa, agora são raros. “Os clientes deixaram de freqüentar as barracas por causa do abandono. O banheiro está horrível. A iluminação está ruim e o aspecto é feio. É o que os fregueses falam”, explica.

O pedreiro Luiz Antônio Bernardino, que freqüenta o Lanchódromo há muitos anos, diz que o espaço piorou muito. “Há seis anos isso aqui era lotado de famílias. Eu trazia minha mulher e filhos para comer um lanche. Mas agora não é mais um ambiente bom para a família. O banheiro está horrível, o clima não é bom. Mas quando estou trabalhando aqui por perto sempre passo para beber uma cerveja antes de ir para casa”, relata.

Para Lalá, que reclama do aumento da concorrência, a prefeitura deveria proibir barracas de lanches na Praça da Paz. “Nós fomos tirados da Praça do Líbano porque diziam que não podíamos ficar na praça. Agora, deixam barracas na Praça da Paz. Não dá para entender”, questiona.

Marieta Luísa Nascimento, outra dona de barraca do Lanchódromo, também reclama da situação da praça de alimentação. “Eu, meu marido e minha filha trabalhamos aqui, mas está muito difícil. A renda é só para pagar as contas de água e luz e mal dá para viver”, diz.

Abadir José dos Reis, proprietária de outra barraca, confirma a situação. “Às vezes trabalho até as 6h para tirar R$ 20,00 ou R$ 30,00. É claro que o Lanchódromo precisa de uma reforma, mas não temos dinheiro. A prefeitura precisa viabilizar isso mesmo que seja através de parcerias com empresas”, afirma.