Os primos Robson e Alexandre encontraram uma solução criativa para espantar o fantasma do desemprego que os assolava há alguns meses. Moradores do Jardim Ferraz, em Bauru, ambos resolveram equipar duas Honda Bizz com potentes aparelhos de som e transformá-las em “moto de somâ€.
A idéia de prestar tal serviço, provavelmente inédito na cidade, nasceu quando os dois ainda moravam em Itatinga. Como sempre se deslocavam até Botucatu para fazer compras, acabaram notando as motos-som circulando pelo comércio local. Por coincidência, um de seus amigos trabalhava nessas motocicletas. “Conversamos e ele nos explicou como o sistema funcionava. Daí resolvemos levar para Bauru o serviçoâ€, conta Robson.
Para isso, ele aproveitou, além da moto que já possuía, um equipamento de som que estava encostado na sua residência. O próximo passo foi comprar outra motocicleta para seu primo utilizar e formar a sociedade. “Reunimos a necessidade do emprego com a criatividade, além da economia de combustível que elas proporcionamâ€, resume Alexandre.
Ao contrário do que se imagina, adaptá-las não foi fácil. Primeiro, porque o som não pode ser instalado em qualquer motocicleta. “Tivemos de fazer a caixa na medida e um suporte por dentro para ela ficar firmeâ€, explica Robson. O sistema também conta com um módulo de potência utilizado em competições e um dínamo auxiliar à bateria. “Somente a bateria original da Bizz não seria suficiente para comportar o som e ela descarregariaâ€, diz. Desta forma, além de garantir o funcionamento perfeito da motocicleta, o investimento transformou a Honda Bizz em uma verdadeira “discoteca ambulanteâ€. O som é tecnicamente perfeito
Trabalhando em média de oito a nove horas por dia, as motos-som só param mesmo em dias de chuva. Mas quando o tempo melhora, Robson e Alexandre trabalham dobrado para compensar os dias perdidos. Com isso, vão ganhando a vida e alimentando planos ambiciosos para o futuro da atividade. “Queremos aumentar a quantidade de motos, passando de duas para oitoâ€, revela Alexandre.
Casos engraçados
Por conta do ineditismo do serviço e de se transformarem no centro das atenções por onde andam, os primos afirmam que passam por situações curiosas e engraçadas diariamente. “Sempre vemos pessoas cutucando umas às outras e dando risada logo em seguida. Fazer o que, é nosso serviço, né?â€, afirma Robson. E acrescenta: “No entanto, eu e meu primo acabamos sempre dando risada juntos.â€
Uma das mais engraçadas ocorreu quando Alexandre fazia uma propaganda cujo começo possuía uma freada de carro com uma batida na seqüência. “Uma senhora que caminhava pela calçada, de costas para a moto, ouviu o som da suposta batida e se jogou na calçada. Tive de abaixar a cabeça e ficar quietinho para não ser xingadoâ€, conta ele, rindo.
Mas quando o assunto é o gosto por motos, os primos são um pouco diferentes. Alexandre enfatiza que admira motos desde a infância, mas nunca teve a oportunidade de tê-las. Já Robson confessa que não ligava muito para motocicletas, mas que diante da necessidade profissional acabou apaixonando-se pelas mesmas. “Hoje não vivo semâ€, afirma ele.
Perfil
• Nome Robson José Jerônimo
• Idade 27 anos
• Time do coração São Paulo
• Lugar para passear Florianópolis
• Quem você não levaria na garupa da sua motocicleta?
“O Fernando Henrique Cardoso, pois ele mais viaja do que cuida do País.â€
• E quem você levaria?
“Minha esposa Andréa.â€
• O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?
“A falta de educação dos motoristas.â€
• Que nota você daria aos motoristas de Bauru? Seis.
Perfil
• Nome Alexandre Nascimento das Neves
• Idade 25 anos
• Time do coração Corinthians
• Lugar para passear Caraguatatuba
• Quem você não levaria na garupa da sua motocicleta? Ossama bin Laden.
• E quem você levaria?
“Minha esposa Eliane.â€
• O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?
“A falta de sinalização viária, principalmente nos bairros.â€
• Que nota você daria aos motoristas de Bauru? Oito.