10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Não há dúvida: a ordem deve anteceder ao progresso


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Li ainda há pouco comentário de famoso ensaísta, do qual não recordo o nome, sobre provável inversão do “lema comtista” - “Ordem e Progresso”. Afirmava ele, que esse “lema” inserido em nossa bandeira, aparece em posição invertida; e que o mais razoável, seria vir em primeiro plano o “progresso”, para em seguida se alicerçar a “ordem”. Será que Augusto Comte, se vivo fosse, aceitaria essa inversão procedimental? Reconheço que intelectualmente estou muito aquém da capacidade do ilustre ensaísta; contudo, a lógica me permite divergir do seu ponto de vista.

Ao meu modo de entender, e creio, de muitas outras pessoas, isto é esquisito, muito estranho; de forma alguma poderia se encaixar nos princípios de um pensamento lógico.

Sustenta o referido articulista, que a “ordem” nem sempre é essencial ao “progresso”; o qual poderá elevar-se, desenvolver-se e robustecer-se, independente desse princípio que a antecede.

Sabemos que o antônimo de “ordem” é a desordem; é o caos. Caos é a negação de tudo; é incapaz de construir, só tende a destruir. Não se irmana com a evolução, com o “progresso”.

A fim de reforçar seu ponto de vista, o respeitável estudioso cita a atividade dos grandes cientistas, que ao realizarem suas pesquisas, seus estudos, não se apegam ao princípio da “ordem”. Seus planos, seus esquemas, geralmente são abandonados em desordem, sobre a mesa de trabalho.

Fala também da estruturação administrativa do Brasil, que segundo o “lema” de Augusto Comte, impõe a “ordem” a preceder ao “progresso”; e que, contudo, não vem conseguindo o ideal almejado. Motivo pelo qual, a seu ver, a situação deveria ser invertida.

Quanto ao primeiro exemplo citado, devemos levar em consideração, que a aparente desordem, é para o cientista, um ordenamento “sui generis”.

Se alguém tentar botar ordem à sua maneira, àquela confusão, irá certamente atrapalhar, e até mesmo destruir, grande parte da pesquisa, do trabalho elaborado.

Já com referência ao segundo exemplo, podemos opor o seguinte: na administração desta nação brasileira, o que vivifica, não é uma “ordem” em toda sua pureza. É uma “ordem” distorcida, visando manter hegemonia de grupos; em contraposição aos legítimos interesses sociais.

Isto não gera o progresso, gera a anarquia, o retrocesso; e o total descrédito no processo evolutivo da nação.

Assim sendo, continuamos a acreditar, que em tudo na vida, a “ordem” é sempre essencial; sem “ordem”, não poderia haver progresso.

Arrematando, poderemos argumentar, que se a “ordem” não fosse essencial, antecedendo ao “progresso”, certos países da América e da África, que vivem eternamente convulsionados, seriam as mais progressistas nações desses continentes.

O “progresso”, na verdade, é um corolário da “ordem”; não pode, portanto, precedê-la. (Áureo Corrêa de Souza - RG: 3.538.605)