Boracéia - O prefeito de Boracéia, Wilson Sipioni (PFL), está colocando em prática uma idéia simples para economizar o dinheiro público e, de quebra, incentivar - ainda que simbolicamente - a economia da região, que gira em torno da cana-de-açúcar.
Um ato administrativo de Sipioni obriga que todos os carros da frota municipal de Boracéia sejam a álcool, medida que possibilita uma economia que, segundo ele, permitiria a compra de um carro novo a cada cinco anos - isto para cada veículo a álcool da frota, que hoje conta com 29, mas com apenas 13 deles possíveis de serem transformados em veículos a álcool.
Como a intenção de Sipioni não é comprar carros novos para a prefeitura da pequena Boracéia, ele acredita que o dinheiro economizado com o álcool - combustível mais barato que a gasolina - poderia ser utilizado em outras áreas da administração, como as questões sociais.
Para comprovar sua tese, o prefeito faz ainda mais cálculos. Segundo ele, a economia anual com cada carro a álcool, em relação ao mesmo veículo a gasolina, é de R$ 2.903,01. “Praticamente, dá para comprar três veículos zero por ano com a diferença da economiaâ€, expõe Sipioni.
Segundo o prefeito, a idéia da frota municipal a álcool, que começou a ser colocada em prática no ano passado, já está rendendo. “Nós gastávamos R$ 20 mil por mês de combustível, hoje nós já estamos com uma média de R$ 16 milâ€, comemora o prefeito. Ampliando as contas, ele afirma que é possível economizar R$ 48 mil por ano, que no final dos quatro anos de mandato totaliza R$ 192 mil. “Tudo isso num detalheâ€, observa.
Incentivo
Spioni espera que sua idéia seja copiada em outros municípios. O motivo principal da frota a álcool, ele diz, não é a economia em si, mas o incentivo que a medida pode provocar.
“Gostaria que outras prefeituras e empresas enxergassem isso como um atrativo, além de ser um produto nacional e que também não gera poluiçãoâ€, ressalta.
O vereador João Boesso Neto concorda com as afirmações do prefeito, principalmente quanto ao incentivo do uso do álcool em frotas de outros municípios. “Além de não gerar poluição, é um produto nosso, com recursos renováveisâ€, afirma.
A preocupação com a poluição, no entanto, ainda não atinge o gabinete do prefeito. Boracéia, que é uma cidade relativamente jovem - com apenas 43 anos - tem pouco menos de 4 mil habitantes.
Como praticamente toda cidade da região, sua economia gira em torno da indústria sucroalcooleira, daí a necessidade do incentivo ao uso do álcool como combustível.
Entre os muitos argumentos para a implantação da frota verde em Boracéia, Sipioni tem um que resume sua medida. “O carro a álcool gera empregos, riqueza e divisas para o paísâ€, ressalta. No caso em questão, “os empregos, riquezas e divisas†impulsionam a jovem Boracéia.
Para Paulo Brandão, presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), a iniciativa de Sipioni é uma medida que já devia ter sido colocada em prática há muito tempo. “Não há nada mais justoâ€, diz.
Segundo Brandão, assim como outros municípios que sua associação abrange, 90% da economia de Boracéia é baseada na indústria canavieira. “A gente está insistindo para que todos os municípios da região façam o mesmoâ€, declara.
Economia da Frota Verde em Boracéia
Exemplo: Veículo que roda 50 mil quilômetros por ano (média de Boracéia).
• A gasolina:
50 mil Km : 12 Km/litro = 4.166,67 litros
4.166,67 litros x R$ 1,83/litro = R$ 7.625,61
• A álcool:
50 mil Km : 9 Km/litro = 5.555,56 litros
5.555,56 litros x R$ 0,85/litro = R$ 4.722,60
• Diferença (gasolina - álcool):
R$ 7.625,61 R$ 4.722,60 R$ 2.903,01
Economia anual que, em cinco anos, totalizaria R$ 14.515,05. O suficiente para a prefeitura comprar um Gol zero quilômetro, a álcool, que custa R$ 14.300,00.