09 de julho de 2026
Bairros

Tecnologia e respeito preservam escola

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Para entrar na Escola Estadual João Maringoni, no Núcleo Beija-Flor, é preciso, primeiro, tocar a campainha. O portão se abre assim que o visitante é identificado por algum funcionário. Sempre se ouviu de educadores e especialistas que a escola deveria ser uma continuação da casa do aluno. É o que se sente ao chegar na João Maringoni. Isso não significa que é preciso ser convidado para entrar. Mas os alunos se sentem aliviados em saber que não serão surpreendidos por uma “visita indesejada”.

Afinal, a escola, instalada no Jardim Beija-Flor, fica de frente para um vale, por onde passa o Córrego Barreirinho, com muito mato em volta. Está um tanto quanto isolada. Não existem muitas casas por perto, apesar da unidade de ensino atender crianças e adolescentes do Bauru 2000, Bauru 1, do próprio Beija-Flor e do Mary Dota - um dos maiores núcleos habitacionais da América Latina.

Os equipamentos de segurança instalados pela Secretaria de Educação no começo deste ano preserva o patrimônio da escola das depredações, mas é na conversa que a direção, professores e inspetores conseguem conscientizar os alunos de que aquele espaço é deles. A unidade de ensino é uma das 18, das 49 escolas de Bauru, que possuem alarmes e circuito interno de TV.

Nos dois andares por onde circulam 1.800 estudantes do ensino fundamental e médio, em três períodos de aulas, foram instaladas 11 câmeras nos corredores e pátios e vários alarmes. Para ajudar, grades e portões enormes cercam a unidade de ensino e impedem a entrada de vândalos e ladrões.

O circuito interno de TV é monitorado na sala da vice-direção. De lá, as educadoras podem acompanhar o que acontece em quatro ambientes diferentes ao mesmo tempo, graças à divisão existente na tela do monitor. Somente nos banheiros e nas salas de aula não foram instaladas câmeras de vídeo. Mas a entrada dos sanitários, tanto feminino quanto masculino, é monitorada nos três períodos de aula.

Depredação

A inspetora de alunos Fátima Rocha, com sete anos de profissão, conta que o maior problema da escola sempre foram as depredações e as pichações. Mas explica que o estabelecimento nunca teve índices de violência. “Era gente de fora que entrava aqui. Hoje, isso não acontece mais”, comemora.

Mesmo satisfeita com a instalação dos equipamentos, a inspetora lembra que conversar com os alunos é o mais importante para evitar a indisciplina. â€œÉ preciso respeitá-los. O problema do aluno não está na escola e sim na família. A maioria que apresenta indisciplina é porque não tem estrutura familiar. É briga, desemprego...”

Do alto da sua experiência, ela dá um conselho para pais e professores: â€œÉ preciso ter mais amor por essas crianças. Antes, existia respeito porque os pais eram mais presentes. Hoje, eles acham que a obrigação de ensinar é só da escola.”

Com apenas 8 anos, Natalie Olegário, já sabe o que representam as duas “caixinhas” instaladas no alto do portão. “São o alarme e a câmera de vídeo. Eles dão segurança pra gente, porque o ladrão respeita mais a escola. Eu também nunca fiz arte no recreio porque não quero ser chamada a atenção pela diretora.”

A vice-diretora Suzilei Angélica do Nascimento Lima diz que chegou a ficar preocupada quando soube que a sua escola seria uma das primeiras em Bauru a receber os equipamentos de segurança. “De imediato, a gente ficou triste porque achou que a escola estava sendo mal vista. Depois, é que fomos percebendo que não era nada disso e que o objetivo era proteger os alunos e o nosso patrimônio. Hoje, a gente se sente privilegiada.”

Fala-estudante

Os alunos na Escola João Maringoni aprovaram os equipamentos de segurança. Alguns acham até que deveriam ser colocadas mais câmeras para aumentar a vigilância.

“Melhorou demais a segurança na escola depois que instalaram o circuito de TV e as câmeras. Só acho que devia ter câmeras nas classes também. No ano passado, chegaram a roubar as classes. A gente precisa preservar o patrimônio da escola para que os nossos filhos tenham onde estudar.”

Ana Tereza Camargo Cardoso, 13 anos

“Eu estou mais seguro agora. A pichação acabou e os caras que tentavam entrar à noite aqui para caçar briga não vêm mais.”

Thiago Soares Coelho, 13 anos

“Hoje, a gente já sai de casa menos nervoso porque sabe que ninguém vai entrar aqui para brigar. Antes tinha muita confusão no recreio, mas isso acabou. Mas deveria ter câmeras também nas classes para diminuir a bagunça.”

Gabriel Henrique Dutra Pereira, 12 anos

“Antes, vira e mexe tinha que vir polícia aqui porque tinha muito vândalo. Agora, isso acabou. A PM passa de vez em quando só para ver se está tudo bem.”

Cícero Rodrigues Chave dos Santos, 14 anos