Finalmente a tão famosa carta de renúncia do ex-presidente do Noroeste, Valdomir Mandaliti, apareceu. E, junto com ela, também a da renúncia do presidente do Conselho Deliberativo, José Haroldo Martins Segalla.
Depois de ver o clube entrar em uma crise financeira sem precedentes, que estourou no início de abril com uma ameaça de greve por parte dos jogadores, Mandaliti anunciou que deixaria o cargo. No dia 25 de abril, o advogado apresentou a carta de renúncia a Segalla, então presidente do Conselho Deliberativo.
No documento, Mandaliti afirma que não teria condições de continuar na presidência sem apoio financeiro de qualquer espécie. No último parágrafo, Mandaliti passa o cargo ao vice-presidente, no caso, o empresário Cláudio Amantini, conforme previsto no artigo 72 do estatuto do clube bauruense.
Ontem, o novo presidente do Conselho Deliberativo, Inocêncio Medina Garcia, cedeu cópias das cartas de renúncia de Mandaliti bem como a de Segalla ao Jornal da Cidade. Segalla alega que não pode estar à frente do Conselho por ter '" inúmeros compromissos profissionais em São Paulo", onde reside e trabalha.
Os documentos foram entregues a Inocêncio ontem pela manhã. O novo presidente do Conselho anunciou que irá convocar uma assembléia para registrar a renúncia de Segalla e assumir oficialmente o cargo, ainda esta semana.
Para tentar ajudar o Noroeste a sai da crise em que se encontra, que começa a chegar a campo, após cinco resultados negativos da equipe na Série A-3 do Campeonato Paulista, Inocêncio diz que irá cobrar o presidente. "Ele deve assumir de vez ou renunciar também. O papel do Conselho é fiscalizar as ações da Diretoria Executiva", revela.
Sobre o mau momento do clube, Inocêncio credita à falta de planejamento. "A folha de pagamento é muito alta para a Série A-3 (cerca de R$ 75 mil). Sem receita para cobrir tantos gastos fica difícil. Acho que para disputar A-3, não poderíamos ter despesas maiores que R$ 30 mil com folha", avalia.