09 de julho de 2026
Geral

Lar Santa Luzia passa por dificuldade

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Com mais de 40 anos de atividades em benefício dos deficientes visuais, o Lar Escola Santa Luzia para Cegos passa por uma de sua maiores crises. A entidade, cuja principal fonte de renda são doações, têm sofrido com a confusão que uma entidade de São Paulo tem provocado.

Segundo a presidente do Lar, Nilce Regina Canavesi, muitos bauruenses têm contribuído com a entidade paulistana, que tem um nome parecido, pensando que estão ajudando o Santa Luzia de Bauru. Para evitar a confusão a entidade terceirizou o serviço de cobrança. “As pessoas que quiserem nos ajudar devem prestar atenção no recibo do cobrador. O nosso possui um logotipo com o nome e endereço do Lar, o outro tem a a imagem de uma santa”, explica Canavesi.

O Lar está passando por uma reforma em sua sede, na quadra 11 da Rua Gérson França, para a modernização do prédio, com a colocação de rampas e apoios para os freqüentadores, além da construção de uma marcenaria. O objetivo do Lar é que, no futuro, a instituição possa ampliar as possibilidades de trabalho dos seus alunos que hoje têm no empalhamento de cadeiras sua principal atividade lucrativa.

â€œÉ importante que a sociedade saiba que o Lar realiza esse tipo de trabalho e que aceita qualquer tipo de encomendas”, diz a psicóloga Edy Mizuni Yamamoto, que trabalha na entidade. Os alunos do Lar também restauram cadeiras de nylon.

Na opinião de Elvio Barbosa Rodrigues, aluno do Lar há mais de 20 anos, trabalhar na entidade é fundamental. â€œÉ uma terapia. Antes de entrar para o lar eu era uma pessoa sem objetivo na vida”, diz. Ele parou de estudar aos 17 anos, quando perdeu a visão e entrou em contato com a entidade para aprender a se comunicar pelo método Braile.

“Depois aprendi a fazer todos os tipos de artesanato e hoje trabalho com o empalhamento sextavado para cadeiras. Ocupa o meu tempo, é uma atividade que tem me rendido trabalho em casa também. É a união do útil ao agradável”, explica.

Teatro

Além dos trabalhos artesanais, os deficientes visuais atendidos pelo Lar aprendem na entidade como ler e escrever pelo método Braile, podem ter aulas de crochê e tricô, educação física e também participar de um grupo de teatro chamado “Nova Vida”.

Atualmente, o grupo está com a peça “Herança” em cartaz e se apresenta em escolas e outras entidades.

“Nosso objetivo é mostrar que a pessoa com deficiência visual tem talento como outra qualquer”, diz a psicóloga. A apresentação também tem um lado didático, usado para acabar com o preconceito e a discriminação contra os deficientes, principalmente entre os mais jovens. “Após a peça nós temos sessões de perguntas e respostas para esclarecer o público sobre a deficiência e como os atores podem atuar sem enxergar”, afirma Yamamoto.

Serviço

Quem quiser colaborar com o Lar Escola Santa Luzia para Cegos, pode entrar em contato com a entidade nos seguintes endereços: rua Gérson França 11-61 (com Nilce ou Arlete), o telefone é (14) 223-1754 ou avenida Castelo Branco 24-9 (com Silvio ou Simone), o telefone é (14) 236-1977. Interessados na apresentação da peça “Herança”, devem entrar em contato com Edy, pelo telefone (14) 227-5470.

Em caso de dúvida sobre o recibo, o telefone da empresa de cobrança autorizada pela entidade de Bauru é (14) 236-3435 (com Araci ou Leandro).