Buscando descobrir o contexto educacional existente em países ricos ou em desenvolvimento, uma criteriosa organização - Programa Internacional de Avaliação de Alunos - intimamente vinculada à cultura juvenil, vem de realizar pesquisa em nações de vários hemisférios tendo por meta dimensionar a capacidade de leitura dos estudantes inseridos na faixa dos 15 anos etários. Exatamente 32 países figuraram na malha das incisivas investigações. Os alunos da Finlândia chegaram ao nível 4, situando-se em honroso primeiro lugar, os mexicanos, russos e poloneses, com nível 2, ficaram em penúltimo, e os brasileiros, obtendo um ínfimo nível 1, apareceram como os de pior avaliação.
A realidade é daquelas que preocupam por indicar que os nossos estudantes, localizados no âmbito de tal nível etário, não compreendem o que lêem. Não fazem nem o mínimo desejável. Matriculam-se nas escolas, são levados a tomar conhecimento da pronúncia das letras alfabéticas, mas deixam de gravá-las suficientemente quanto aos seus devidos significados, pois não logram penetrar nas suas específicas entranhas. Um doutor em Lingüística, Marcos Bragno, da Universidade de São Paulo, diagnostica a doença, afirmando que ela tem origem no trato que se imprime à língua no Brasil, onde “o foco do ensino situa-se na gramática quando deveria ser na leitura e na escritaâ€. E segue em frente, detalhando que o problema mais se agrava face a anomalias decorrentes de “deficiências de recursos pedagógicos, instalações escolares inadequadas, salas de aula lotadas e baixos salários dos professores em geralâ€. Mas, não pára aí, acrescentando uma revelação estonteante: “Há alunos de quarta série praticamente analfabetos, uma vez que os do sistema público são automaticamente aprovados sem passarem por nenhuma avaliação, exceto na quarta e oitava sériesâ€. E o que isso significa? Só pode indicar que, ao sair da escola, a maioria dos jovens acaba mesmo não entendendo o que esteja diante de seus olhos...
Conclui-se, então, na necessidade de que a política nacional do ensino primário seja reformulada em extensão, de sorte a minimizar, quanto possível, as deficiências em função das quais os estudantes não têm a ventura de conservar o que as escolas lhes ensinam. Com a palavra e a ação os responsáveis pela escolaridade existente no país, para que a nação possa livrar-se da pecha que a recente pesquisa lhe lançou, até porque ler livros, jornais e revistas e disso nada tirar para si é um castigo que tende a doer. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)