10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Sindicato não quer mandioca no pão

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Bauru e Região é contra o projeto de lei nº 679/01, do deputado federal Aldo Rabelo, que pretende adicionar farinha de mandioca à farinha de trigo na fabricação de pães. Segundo o presidente do sindicato, Evaristo Rodriguez Gonzalez, a medida prejudicará a qualidade do produto sem resultar em algum benefício ao consumidor final.

Gonzalez diz que a atitude de obrigar os moinhos à adição da farinha de mandioca, conforme determina o projeto, sem a prévia consulta aos profissionais do ramo e aos diretamente interessados na questão fere o direito da população de decidir o que lhe interessa consumir em benefício próprio.

“Isso anula a opinião dos consumidores e funciona como forma de impor uma idéia de que o governo tem a verdade absoluta em relação ao que pode ser melhor para o nosso País. Adicionar farinha de mandioca à massa deixa o pão mais pesado, o sabor muda e a qualidade do produto diminui. Além disso, não vai baratear o preço final”, afirma Gonzalez.

De acordo com ele, atualmente o Brasil é o país da América Latina com menor consumo de pão por habitante. Na visão do sindicato, a adição de novos ingredientes “estranhos” à receita tradicional comprometeria a qualidade do produto final, o que poderá acarretar na diminuição do consumo e na acentuação da queda da quantidade de pão consumida por pessoa.

“Nossa proposta é a de que atuemos mais racionalmente na utilização dessa matéria-prima, que temos condições de produzir em abundância. Para isso, devemos desenvolver políticas de crescimento dos hábitos de consumo de outros tipos de produtos fabricados a partir da farinha de mandioca”, analisa o presidente do sindicato.

Para reforçar a proposta, Gonzalez sugere que produtos tradicionalmente de qualidade e autenticamente brasileiros, como biscoito de polvilho, pão de queijo, bolo de aipim, entre outros, poderiam receber mais incentivos na sua fabricação e comercialização. A idéia é possibilitar a utilização de toda capacidade de produção da farinha de mandioca existente no País.

“Partindo do conhecimento da qualidade desse produto, também deveríamos buscar mercados externos onde esses alimentos não existem, apresentando ao mercado internacional uma novidade muito saudável e de grande utilidade”, sugere.

Ele acrescenta dizendo que o biscoito de polvilho, por exemplo, pode ser consumido por crianças ou adultos de qualquer idade sem problemas ou contra-indicações para a saúde, principalmente para idosos, pessoas com diabetes e celíacos, entre outras doenças existentes.

Parcerias

Para Gonzalez, é fundamental o desenvolvimento de parcerias com produtores, fabricantes, empresários e órgãos responsáveis com a finalidade de elaborar um projeto de aumento do consumo de produtos feitos à base de mandioca. “Isso seria de extrema importância para o crescimento de nosso País”, acrescenta.

De acordo com Gonzalez, no próximo dia 7 o deputado Aldo Rabelo estará em Paraguaçu Paulista (SP) participando de um evento para o qual ele foi convidado a participar. Na ocasião, ele entregará ao parlamentar um documento que expressaria o descontentamento dos sindicatos de panificadores de todo o País em relação ao projeto de lei.

“Esse documento está sendo entregue a todos os deputados federais do Estado de São Paulo e também enviaremos à Comissão de Agicultura na Câmara. Eu irei participar desse evento representando os panificadores de 253 cidades do Oeste Paulista, 1,3 mil panificadoras, 14,3 mil empregados diretos e mais 320 indiretos”, destaca Gonzalez.