08 de julho de 2026
Saúde

Candidíase afeta 90% das mulheres

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

A candidíase é uma infecção genital causada pelo fungo Candida albicans. Esse microrganismo, geralmente, se aloja na pele, na boca (sapinho), estômago, intestino e vagina. Cerca de 90% das mulheres podem ser infectadas pela candidíase vaginal, pelo menos uma vez na vida.

De acordo com a médica ginecologista, Marli Caprioli Rosa Faria, há outros fungos que atacam também a vagina, mas são pouco conhecidos. Como todos pertencem ao mesmo grupo, os tratamentos são parecidos e, portanto, não se costuma fazer o diagnóstico de outros tipos de fungos.

O fungo causador da candidíase pode morar na vagina da mulher por um tempo indeterminado. “A mulher pode ser vítima da Candida sem perceber, porque ela pode ficar morando ali, sem causar nenhum dano”, diz.

Marli explica que, quando a paciente perde a resistência do organismo, deixando-o enfraquecido, a Candida começa a se reproduzir, saindo de dentro da mucosa. “Essa reprodução provoca corrimentos vaginais muito desconfortáveis”, afirma.

A doença faz com que a mulher sinta coceira, ardor e corrimentos abundantes. “Esses sintomas variam um pouco de mulher para mulher”, conta.

A médica diz que algumas mulheres sentem muita coceira, mas não apresentam corrimentos; outras têm corrimento intenso e não sentem nenhum tipo de coceira, mas algum sintoma sempre auxilia no diagnóstico da candidíase. Na maioria das vezes, a candidíase causa um processo irritativo com coceira, ardor, ardência para urinar (isso porque onde coça machuca e a urina quando encosta na vulva machucada provoca ardor) e dores na relação sexual.

Tratamento

Mesmo sem o tratamento, o organismo se rebela e luta contra o fungo, deixando-o novamente sem atividade. “O fungo volta para dentro da parede vaginal e fica ali até um próximo fator desencadeante da doença”, afirma.

Com o tratamento, esse processo ocorre mais rápido. â€œÉ comum ouvir da paciente que ela teve uma coceira intensa e passou sem nenhum tratamento. Isso ocorre, também, porque o organismo não estava tão debilitado”, explica.

Com o tratamento, de acordo com a ginecologista, é possível eliminar 70% dos fungos da vagina. Ela diz que os outros 30% ficam “guardados” na mucosa e, a qualquer momento, com uma queda de resistência do organismo, a doença reaparece, porque o fungo volta a se reproduzir.

O tratamento, geralmente, é recomendado para o casal, isso porque o fungo, estando em atividade, pode ser transmitido através da relação sexual. “Vale lembrar que se a pessoa não tiver predisposição nenhuma, ela pode não desenvolver a doença, mas o tratamento sempre é indicado para o casal”, explica.

O tratamento, normalmente, é tópico e por via sistêmica também, utilizando os anti-fúngicos. “Com um tratamento prolongado, pode-se combater o fungo de maneira mais efetiva, mas nunca total”, explica.

Estresse

A candidíase pode ocorrer no interior da vagina, na vulva ou em todo o períneo da mulher. “Quanto menos resistência ela tiver, mais ela se alastra”, afirma. O ideal é estar sempre com o organismo fortalecido. “O mais importante, para mim, é o estresse. É o que sempre vejo nas pacientes que têm candidíase de repetição. Esse é o grande problema dos consultórios”, conta.

A candidíase de repetição, de acordo com Marli, atrapalha muito a vida social e sexual da mulher. Irritação e nervosismo são características das mulheres que possuem a candidíase de repetição, porque elas estão sempre acometidas de um mal que incomoda. “Afeta, principalmente, a vida sexual, porque a mulher não consegue ter relações sem dor”, afirma.

As pacientes que têm candidíase de repetição, de acordo com a ginecologista, são as ansiosas, as nervosas e as que apresentam também quadros de Tensão Pré-Menstrual (TPM). “O maior alvo são essas pacientes. Depois disso, temos as pacientes que têm o hábito de usar roupas muito apertadas, calcinhas de lycra, calças jeans, hábito de ficar muito tempo em piscinas, como as professoras de natação, entre outras”, conta.

A médica explica que o fungo se adapta bem em ambiente quente e úmido, se reproduzindo com facilidade. “Por isso é importante se enxugar bem após o banho”, alerta.

Marli lembra que gripes, resfriados, amidalites ou qualquer situação em que se tenha que tomar antibiótico; viagens prolongadas usando uma calça jeans apertada; relação sexual sem lubrificação; e intestino preso são algumas situações que desencadeiam a candidíase.

Sanitários públicos, toalhas mal lavadas, saunas, beira de piscina, são outras fontes de contágio. É importante lembrar que qualquer lugar sempre está repleto de fungos, basta que o organismo da pessoa tenha predisposição para adquirir o fungo.

No homem, os sintomas da candidíase são menores, mas nada impede que eles sintam ardência na região genital, rachadura da pele da glande, ardor nas micções e vermelhidão. “Ver esses sintomas em homem é muito menos freqüente do que na mulher”, diz.

Facilitadores

Há alguns estados que contribuem para a infecção da candidíase. A gravidez é um deles porque nesse período, o meio fica mais favorável ao desenvolvimento da Candida devido ao aumento dos níveis de estrogênio (hormônio feminino).

Os anticoncepcionais também podem contribuir para a infecção pelo mesmo motivo do estrogênio que fica abundante no fluxo vaginal. A menopausa diminui os hormônios e faz com que a mucosa vaginal fique menos resistente. O uso dos corticosteróides provoca alteração no sistema imunológico.

Também os antibióticos são fatores que geram um desequilíbrio na flora bacteriana da vagina. Os distúrbios endócrinos como a diabetes, por exemplo, provocam alta concentração de açúcar no meio vaginal e na urina, favorecendo o desenvolvimento do fungo.

Um dos fatores mais importantes é a higiene pessoal. Um mau hábito de higiene pode disseminar os microorganismos do intestino para a vagina.

Os agentes sensibilizantes como sabonetes, desodorantes e nebulizações vaginais fazem com que a pele sofra lesões ou inflamações. Nas relações sexuais, a mulher pode transmitir candidíase ao parceiro que passa a ser uma fonte de contágio.