08 de julho de 2026
Geral

Tanta dedicação acaba recompensada

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Há cinco anos, Wagner Elias Jacob formou-se em engenharia química, na concorrida Universidade Federal de São Carlos. De lá para cá, ele vem se dedicando com afinco às apostilas e livros de direito tributário, contabilidade, etc. “Tenho uma nova profissão, bem diferente da minha área inicial”, diz.

Jacob acaba de passar no concurso para agente fiscal de renda, da Secretaria Estadual da Fazenda, um cargo que ele persegue há cinco anos.

Ele explica que escolheu essa carreira visando três resultados: estabilidade no emprego, bom salário e aposentadoria integral. A vontade de investir na carreira pública surgiu quando Jacob se preparava para ingressar na profissão de engenheiro químico.

Ele conta que estava estagiando em uma multinacional quando viu o seu chefe ser demitido sem mais nem menos. “Ele tinha 25 anos de empresa, 45 anos de idade, uma vida financeira calcada na condição que a empresa oferecia e de repente, viu tudo isso ruir. Ele perdeu o chão naquele momento e eu pensei: ‘não quero isso para mim’”, destaca.

Ele temia construir uma boa carreira e acabar perdendo devido à instabilidade da economia do País. Assim que terminou a faculdade, Jacob voltou para a casa dos pais, em Bariri, e passou a se dedicar aos concursos.

No total, ele prestou 12 deles. Passou nos quatro últimos: em Brasília (235.º lugar), em Mato Grosso do Sul (100.º), em Mato Grosso (10.º) e, em São Paulo (28.º).

Ele escolheu esse último para ingressar, devido à possibilidade de conseguir, quem sabe, ficar em Bauru, próximo à família. “Eu consegui isso graças ao apoio dos meus pais, que me ajudaram financeiramente a estudar”, ressalta. Para afiar o seu aprendizado, Jacob chegou a fazer curso preparatório.

Ele diz que a vaga ainda não está 100% garantida, já que ainda será preciso fazer mais uma avaliação. “Agora vamos fazer a prova prática, depois de fazer um cursinho de 15 dias, em São Paulo.”

Jacob embarca amanhã para a Capital. O mesmo destino terá a dentista Márcia Helena Marangoni Rubo, que foi aprovada em 16.º lugar no concurso.

Ela é formada há 10 anos, mas decidiu partir para uma carreira mais sólida. “A condição de autônoma imposta pela minha profissão não me oferece muitas garantias”, salienta.

Apostando na segurança de um cargo público, bem remunerado e com chances de ter um futuro mais tranqüilo, Márcia não pensou duas vezes para mudar de profissão. “Isso não me assusta de maneira alguma”, enfatiza.

Para passar em uma colocação tão boa, a dentista conta que estudou muito. Ela diz que as pessoas que prestam esse tipo de concurso são muito bem preparadas e que uma grande quantidade delas fica na mesma linha de classificação. “Ser reprovado por uma diferença pequena de pontuação não é difícil. O problema é ultrapassar essa linha do quase e se classificar. É preciso se diferenciar dos concorrentes, com um aprendizado afiado.”

Para isso, Márcia conta que estudou sete horas por dia, durante cinco meses. “Tem que se dedicar com muita seriedade e vontade de passar”, ensina.