Usando e abusando de cenas de impacto, onde uma menina rica e “bem educada, com bons antecedentes†cai no vício das drogas, tumultuando a vida dos pais, do namorado e principalmente, dela mesma. Enfoca também um garotão de classe média que rouba a própria mãe para conseguir dinheiro a fim de comprar entorpecentes ou um executivo que luta contra a dependência e dá comoventes depoimentos sobre o flagelo da doença, alternados com cenas verdadeiras, de familiares e de próprios viciados sobre o problema, assim é a novela “O Cloneâ€, da maravilhosa, Glória Perez, que vem abordando o tema e se tornando um marco na luta contra a maldita droga.
Muitas pessoas podem pensar que estas cenas, cujo apogeu aconteceu há três semanas quando a personagem Mel, vivida pela excelente atriz Débora Falabella, foi internada à força em uma clínica de reabilitação, são exageradas, absurdas, coisa de novelas. Mas, a realidade é exatamente esta. Roubo, violência, aniquilação familiar, impotência, dor, marcam a vida do adicto, como são chamados os viciados, e de toda sua família. De acordo com levantamento feito por grupos de apoio, graças a estas fortes cenas, milhares de famílias que convivem com o problema estão sendo encorajadas a procurar ajuda. Muitas vezes a vergonha, o preconceito e o medo afastam as pessoas, fazendo com que se fechem, fiquem com raiva e não saibam como lidar com a situação, agravando-a ainda mais. Justamente o porquê que dissemos acima e usamos as palavras “maravilhosa Glória Perezâ€.
Uma escritora premiadíssima na acepção ampla da palavra. E digo mais a esses irmãos sofredores e dependentes químicos: procurem ajuda em alguma irmandade ligada aos Narcóticos Anônimos (NA). Essas existem quase em todas as cidades sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é auxiliar o dependente químico e seus familiares. Essas irmandades, também tratam de um programa que focaliza profundamente a família do dependente químico. Não importam as causas iniciais, religião, nomes, nada... simplesmente é uma fonte de ajuda para a família adquirir a compreensão do problema da dependência como uma doença e a possível contribuição para a recuperação plena. Enfim é uma jornada longa e difícil. Mas a família não pode fechar os olhos. É necessário que o adicto não tenha facilidade para conseguir drogas. Colocar um filho em uma clínica, para dar dinheiro, acabar com mordomias não é maldade, e sim ajuda!... Pensem nisso! (João Álvares - Da Ordem dos Velhos Jornalistas do E.S. Paulo e da Associação Paulista de Imprensa - Reg. 2069).