08 de julho de 2026
Regional

Seqüestro em Lençóis pode ser farsa

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista - A Polícia Civil de Lençóis Paulista descobriu que o primeiro caso de seqüestro na cidade, ocorrido no dia 21 do mês passado, pode não ter passado de uma farsa armada pelo comerciante Gélson Rodrigues, 38 anos, pai da suposta vítima. Ele agora deve ser indiciado por falsa comunicação de crime.

Segundo o delegado Luiz Cláudio Massa, titular de Lençóis Paulista, depois de “várias contradições” o comerciante admitiu - em depoimento à polícia na sexta-feira, dia 31 - que não houve seqüestro. Rodrigues, no entanto, teria alegado que seu filho de 17 anos fora realmente levado por um agiota, como “pressão” para o pagamento de uma dívida.

“Se ele sabia quem era o credor, para que precisava marcar a entrega do dinheiro num trevo da estrada?”, questiona o delegado. Massa também duvida que o menino tenha sido, de fato, mantido em cárcere privado por um suposto credor de Rodrigues. “A partir do momento em que ele admite que mentiu, não sou mais obrigado a acreditar que ele está mentindo só em parte”, explica.

De acordo com Massa, o comerciante não quis revelar o nome do agiota, e afirmou que não tinha interesse nenhum na apuração do caso, o que despertou ainda mais dúvidas nos policiais que acompanhavam as investigações. O delegado conta que, nos últimos dez dias, foram ouvidas diversas pessoas ligadas à família da vítima e foi colocada escuta nos telefones de Rodrigues.

Segundo o delegado, o falso seqüestro mobilizou quase toda a Polícia Cívil do município, que recebeu ajuda da Delegacia Anti-Seqüestro de Bauru. Apesar das suspeitas de farsa desde o início das investigações, Massa afirma que só após o depoimento da sexta-feira passada ele pôde certificar-se da falsa comunicação de crime. “Ele (Rodrigues) passou agora de pai da vítima para indiciado”, ressalta.

Abaixo do custo

O delegado Massa afirma que Rodrigues - dono de dois supermercados na cidade - pode ainda ser indiciado por estelionato se surgirem credores pedindo arresto de bens do comerciante. Rodrigues teria admitido que tem uma dívida de R$ 700 mil.

“Já temos informações de credores que estão procurando a delegacia para conseguir cópia do inquérito, e que estão entrando com arresto hoje (ontem) dos bens do supermercado; isso evidencia que foi tudo uma cortina de fumaça para a aplicação do tal golpe”, afirma Massa.

Na opinião do delegado, com um seqüestro forjado Rodrigues poderia alegar a seus credores que não teria como pagar suas dívidas, pois gastou muito no pagamento do resgate - que teria sido de mais de R$ 300 mil. Massa diz não ter como afirmar se outras pessoas - como a mulher de Rodrigues ou o filho supostamente seqüestrado - estão envolvidas na armação do falso crime.

“A idéia maligna foi plantada. Por mais que seja desmentido, vai ficar a idéia de que Lençóis Paulista é um lugar bom para seqüestrar, porque um comerciante de bairro aqui levanta quase R$ 350 mil em dois dias”, ressalta o delegado.

Seqüestro

O filho de 17 anos do comerciante Gélson Rodrigues, cujo nome não foi divulgado, teria sido seqüestrado na noite do dia 21 do mês passado, na região central de Lençóis Paulista. Ele teria sido levado por um homem num Corsa preto quando chegava da aula em Bauru.

Dois dias depois, Rodrigues teria pago o resgate de mais de R$ 300 mil - dinheiro deixado num trevo de Agudos - e o filho teria sido libertado em Avaré. Segundo o delegado Massa, a família só comunicou o crime à polícia após a libertação do menino.

O comerciante teria levantado parte do dinheiro do resgate com amigos, mas mais de R$ 200 mil ele alegou ter guardado em casa. De acordo com Massa, o fato de Rodrigues ter tanto dinheiro em sua residência foi o detalhe que primeiro chamou a atenção da polícia durante as investigações.