As obras de pavimentação, recape, tapa-buracos e reforma do asfalto deteriorado, iniciadas recentemente pela Prefeitura de Bauru e que custarão R$ 7 milhões, não têm sido suficientes para atender à demanda da população. As reclamações vêm de bairros como o Parque Santa Edwirges, onde várias ruas de terra não constam no plano de asfalto, e de vias de tráfego intenso, como a Floresta e a Duque de Caxias, onde há dias o pavimento deteriorado foi retirado em vários trechos e ainda não foi recolocado outro.
A reclamação é quanto à morosidade das obras. Na altura das quadras 17 e 18 da avenida Duque de Caxias, por exemplo, a raspagem do asfalto velho, feita no início da semana passada, aumentou o risco de acidentes, segundo motoristas. O mecânico Luiz Carlos Pereira, que passa diariamente pela via, diz que já derrapou com seu carro sobre as pedras soltas no local.
Além disso, frisa, até pedestres estão sujeitos a acidentes. “Quem está na calçada pode ser atingido por uma das pedras soltas, que pulam no momento que passam veículos pesadosâ€, ressalta. Maria Tereza Botelho Feitosa, outra motorista que passa pelo local, diz que o risco maior de acidentes é à noite.
A rua Campos Salles, onde o asfalto foi raspado há mais de dez dias, o recape está sendo finalizado. “Agora está ficando bom, mas foi difícil agüentar a poeira por tantos dias. Acho que o trabalho teria que ser feito por partesâ€, opina o comerciante Clóvis Godoy.
Poeira também é a principal reclamação de comerciantes da rua Floresta. O tapeceiro Antônio Donizete Ribeiro de Freitas diz que teve que parar a reforma de um estofado branco. “Eu imaginava que iriam raspar o asfalto e colocar outro no mesmo dia, mas já faz uma semana que está esse poeirão. Não tenho jeito de trabalhar e até gripe estou pegando por causa da poeiraâ€, frisa.
Elias Sabila Raffoul, dono de uma loja na quadra 2 da rua Floresta, lembra que nos primeiros dias, quando as pedras estavam soltas, o perigo de acidente era grande. “Agora, com o passar dos veículos, quase todas as pedras já saíramâ€, ressalta.
Já nos bairros, o problema é a falta do asfalto. Apesar de terminada a época de chuvas há dois meses, ainda é muito difícil transitar pela alameda Sparta, no Parque Santa Edwirges.
Um buraco no meio da rua, por onde corria a enxurrada, atinge quase toda a extensão da quadra 3. “A chuva parou faz tempo, mas ainda temos que jogar o carro na calçada. Estamos cansados de pedir para arrumar. Acho que só o asfalto resolve e estamos dispostos a pagar, a fazer o plano do asfalto comunitáriaâ€, diz Dalber Alexandre da Silva, que mora na quadra 3.
A menos de uma quadra do Núcleo de Saúde do Santa Edwirges mora o pedreiro Israel Ismael de Oliveira, que há anos reivindica a pavimentação da via, a alameda Licurgo. “Essa rua é o trajeto mais curto para quem mora no Jaraguá e no Fortunato e vai ao núcleo de saúde. Mas como sempre tem buraco e muita areia, os carros, e até as ambulâncias, acabam fazendo outro caminho, muito mais longoâ€, conta.
Recentemente, relata Oliveira, uma mulher com uma criança ao colo caiu em um buraco da via. “Ela estava passando por aqui para ir ao núcleo de saúdeâ€, lembra. “Moro aqui há oito anos e desde então estou pedindo o asfalto e olhe que são só três quadras. Mas o que fazem é jogar areia nos buracosâ€, afirma.
Preocupado com novos buracos, o também pedreiro Pedro Evangelista de Paula despeja na rua pedaços de tijolos que sobram da casa que está construindo. “Aqui todo mundo aproveita entulho para tapar buracoâ€, afirma.
Na última sexta-feira, um grupo de moradores do Parque Santa Edwirges, em caravana, foi ao Palácio das Cerejeiras cobrar asfalto e obras para o bairro. Vivaldo Pereira Martins, presidente da associação de moradores do bairro, quer que os R$ 295 mil repassados pela Defesa Civil à prefeitura sejam empregados em obras no bairro.
Martins questiona o porquê a verba, que chegou em março, ainda não se transformou em obras.
“Assessores do prefeito Nilson Costa anotaram nossos pedidos, que incluem as galerias pluviais na alameda Cartago e a conclusão da creche, que está com as obras paradas. Se a gente não tiver resposta, vamos fazer outra comitivaâ€, alerta. Marcos Máximo de Oliveira, que mora na quadra 2 da rua Edson Pereira Leite, no Parque Jaraguá, é outro que cobra asfalto.
Ele explica que a rua de sua casa não tem buracos, mas o problema é a areia acumulada. “Tem dias que não consigo sair de casa com minha caminhonete por causa da areia. Já chegou a encalhar várias vezes. O ideal seria o asfalto, mas enquanto isso, a gente espera pelo menos que as máquinas retirem a areiaâ€, afirma.