09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Puxando o freio ou "levando na banguela"


| Tempo de leitura: 2 min

Alguém que esteja na direção de um veículo mantém-se atento aos controles da máquina. Caso perceba algum perigo, o condutor aciona automaticamente o freio ou tenta mudar o rumo do veículo.

De forma semelhante, ao descobrir que um dos filhos passou a ter um comportamento inadequado por estar envolvido com drogas, muitos pais reagem fazendo uso de sua autoridade para controlar as ações do seu filho (a).

Isso pode incluir proibição de sair sozinho às ruas, “triagem” dos amigos, restrição ao uso de telefone e de dinheiro. Não é incomum pais trancafiarem o “filho-problema” em um quarto, numa tentativa desesperada de impedir o contato dele com a droga. Há quem chegue a mudar de bairro e até de cidade, como se a existência de droga e de traficantes estivesse restrita ao local onde mora atualmente.

Algumas dessas medidas são necessárias, mas é preciso aplicá-las racionalmente, na hora e na forma apropriada, nunca como reação emocional extemporânea, a qual, por sua natureza, logo acaba sendo revogada, o que debilita a já arranhada autoridade paterna.

Existe um outro tipo de pais que, ao descobrir a drogadição do seu filho(a), não impõe sua autoridade para cercear as ações dele(a). Antes adotam uma atitude “salvacionista”, tentando resgatar o filho do domínio da drogadição prometendo premiá-lo caso ele abandone as drogas. Pais que têm suficiente “bala na agulha”, não hesitam em presentear o “filho-problema” com motos, carros, viagens etc.

É claro, tais promessas apenas são anunciadas após muito apelo, discussão e ameaça - medidas em decibéis, as reações destes pais quase sempre são mais impressionantes que as do primeiro grupo - e a celebração de um acordo segundo o qual o adicto solenemente promete abandonar as drogas, promessa que ele, muitas vezes, até gostaria de cumprir, caso estivesse em condições de fazê-lo.

Nossos filhos não são máquinas, mas seres humanos naturalmente dotados da capacidade de fazer escolhas, e que estão em busca de sua autonomia pessoal. O problema é estarem fazendo isso de forma equivocada e perigosa, pois a opção pelas drogas certamente os levará à demência, à prisão ou à morte.

A descoberta do caminho que os fará decidir-se pelo abandono das drogas e ao retorno aos valores familiares passa, na maioria das vezes, pela mudança na forma com que os pais estão lidando com o problema.

Venha conhecer mais sobre esse tema nas reuniões do Grupo Amor Exigente às quintas-feiras às 20h, no salão paroquial da Igreja de Santo Antônio, na Bela Vista, fone: 227-7133. (Oscar Camaforte - RG. 3.640.192)