Araraquara - A Justiça de Araraquara deve julgar nos próximos dias o pedido de liberdade condicional protocolado, há cerca de duas semanas, pelo advogado de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pela polícia como o número um do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O diretor da Vara de Execuções Criminais da cidade, Carlos Berta, disse que aguarda a chegada da ficha criminal de Marcola, que estaria em Brasília (DF). O caso deve ser julgado pelo juiz Silvio Moura Sales.
O líder da facção criminosa já conseguiu mudar de regime duas vezes, desde 86, para unidades semi-abertas, onde podia trabalhar. Fugiu e retornou para presídios fechados.
O advogado de Marcola alega que seu cliente tem bom comportamento e já cumpriu o tempo de prisão exigido por lei para receber o benefício. Marcola completa 16 anos de pena, em outubro deste ano, de um total de 22 anos de condenação por assalto a banco.
“Só depois de conhecer os detalhes do processo é que nós poderemos definir qual será a ação processualâ€, afirma Berta. O Código Penal prevê que o pedido de liberdade condicional pode ser solicitado após cumprimento de 60% da condenação.
A condenação se tornou pública depois que Marcola apareceu no topo do organograma da facção, divulgado pela polícia após a megablitz de 23 de maio. Apesar de ser considerado o líder e o mais inteligente do PCC, Marcola não foi indiciado pelos atentados ocorridos, este ano, em fóruns no Estado.
Esse teria sido o motivo dele não ser transferido para o presídio de Presidente Bernardes (589 km de São Paulo), onde estão outros líderes da facção, como José Márcio Felício, o Geleião, também um dos fundadores da organização criminosa.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública informou esta semana que Marcola está isolado em presídios especiais desde fevereiro do ano passado. O líder já passou pelo Rio Grande do Sul e Brasília, antes de chegar a Araraquara, mesmo assim não tem sido incluído em processos contra o PCC por falta de provas.
Um ponto a favor de Marcola é a pouca referência dele nas 460 horas de grampo telefônico da polícia, que orientaram a maior ofensiva contra o PCC, desde sua criação nos anos 90.
Apesar disso, a Secretaria de Segurança Pública confirmou que ele comandou a facção pelo telefone celular da Penitenciária de Araraquara.
Na ficha criminal de Marcola consta o nome de um dos principais fundadores do PCC César Augusto Roris da Silva, o Cesinha, como seu parceiro em assaltos.
Hoje, Cesinha está recolhido em Presidente Bernardes, chamado de a “Fortalezaâ€. Marcola foi levado de Araraquara para o presídio, mas a Secretaria decidiu, dois dias depois, mantê-lo na unidade anterior.