09 de julho de 2026
Auto Mercado

Obras de arte em quatro rodas

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Enfeitar o carro é uma mania tipicamente americana que se espalhou por todos os cantos do planeta, inclusive no Brasil. Há aqueles mais “discretos”, que se contentam com apenas alguns acessórios. Mas também há os exagerados, que transformam seus veículos em divertidas manifestações artísticas.

Nesses casos, dirigi-los é a oportunidade de se tornar o centro das atenções. É o que acontece com o automóvel do aposentado bauruense Odair Roberto Chan Júnior, 65 anos, mais conhecido por “China”. Morador do Núcleo Geisel, ele é dono de uma Brasília 1974 que possui uma verdadeira parafernália de acessórios e adereços.

Por fora, os itens que mais se destacam são os pára-barros nas rodas traseiras, os seis faróis de milha - dois no teto e quatro na dianteira -, as três antenas (para TV, rádio PX e o som) e os adesivos espalhados pela carroceria, que fazem alusão a desenhos animados e à uma religião. As rodas são esportivas, os pneus possuem faixas brancas e as calotas pintadas no centro na cor do veículo ostentam o logo da montadora.

Mas onde a Brasília também esbanja originalidade é no interior. Nele, o apelo “esportivo” contrasta com o estilo retrô do veículo. Os bancos, volantes, cintos de segurança e os instrumentos do painel apresentam características esportivas. A parte superior da alavanca do câmbio é dotada da marca bávara BMW e o painel é encoberto por um tapete vermelho. â€œÉ para que ele não estrague com o sol”, ressalta Odair.

Também não faltam equipamento de som completo, com CD player e quatro alto-falantes, e três brake-lights (luzes de freio) próximos ao porta-malas. O chão do automóvel conta, ainda, com o revestimento de três tapetes, um deles semelhante a um papel de parede.

Outro detalhe curioso é a buzina, que quando acionada toca o hino do Corinthians, time do coração de Yayo Chan, a esposa de China. Entretanto, seu nome “brasileiro” é outro: Regina. Isso explica o adesivo homônimo colado no vidro traseiro da Brasília. â€œÉ o nome que ela gosta de usar aqui no País”, explica o aposentado.

O motor - impecável - é o mesmo da Kombi 2000 e não tem sujeira ou marcas de vazamento de óleo. A transmissão é a do modelo SP2, um dos maiores responsáveis, segundo China, por fazer a Brasília alcançar mais de 180 km/h. “Ela alcança velocidades até maiores”, jura o aposentado.

Preocupado com a segurança de sua “jóia”, China também a equipou com alarme e trava. “Deixá-la na rua sem qualquer proteção é perigoso, pois ela chama a atenção por onde passa”, afirma ele. “Enquanto muitos querem tirar fotografia, outros perguntam se não a alugo ou faço casamento com a Brasília”, acrescenta.

“Doença”

Mas para que a Brasília chegasse ao atual nível de “decoração” foi preciso muita paciência de China. Assim que a comprou, em 1974, trocou os pára-choques, as rodas, os pneus e fez a instalação elétrica completa, além de trocar o assoalho, amortecedores e freios. Desta forma, gastou mais de dez anos para deixá-la com a sua cara. Entretanto, ainda faz planos. “Quero colocar uma buzina de caminhão.”

Segundo China, o prazer pelos enfeites é uma doença. â€œÉ gosto e vem de dentro de mim. Não sei explicar o porquê. Saio com o sapato rasgado, mas não com um pneu velho na Brasília. Quando chego nas lojas especializadas em acessórios, eles me desfalcam o bolso. Vou colocando-os devagar e mal acabo de pagá-los já vou fazendo outros”, destaca ele.

Entretanto, apesar de todo carinho dispensado ao carro, China é taxativo ao garantir que a vende. “Ela vale cerca de R$ 10 mil e se aparecer interessados vendo na hora. Xodó é minha esposa”, afirma ele. “Ainda sonho em ter um Chevrolet Belair conversível só para pegar minha patroa e passear”, completa ele.