Enfeitar o carro é uma mania tipicamente americana que se espalhou por todos os cantos do planeta, inclusive no Brasil. Há aqueles mais “discretosâ€, que se contentam com apenas alguns acessórios. Mas também há os exagerados, que transformam seus veículos em divertidas manifestações artísticas.
Nesses casos, dirigi-los é a oportunidade de se tornar o centro das atenções. É o que acontece com o automóvel do aposentado bauruense Odair Roberto Chan Júnior, 65 anos, mais conhecido por “Chinaâ€. Morador do Núcleo Geisel, ele é dono de uma Brasília 1974 que possui uma verdadeira parafernália de acessórios e adereços.
Por fora, os itens que mais se destacam são os pára-barros nas rodas traseiras, os seis faróis de milha - dois no teto e quatro na dianteira -, as três antenas (para TV, rádio PX e o som) e os adesivos espalhados pela carroceria, que fazem alusão a desenhos animados e à uma religião. As rodas são esportivas, os pneus possuem faixas brancas e as calotas pintadas no centro na cor do veículo ostentam o logo da montadora.
Mas onde a Brasília também esbanja originalidade é no interior. Nele, o apelo “esportivo†contrasta com o estilo retrô do veículo. Os bancos, volantes, cintos de segurança e os instrumentos do painel apresentam características esportivas. A parte superior da alavanca do câmbio é dotada da marca bávara BMW e o painel é encoberto por um tapete vermelho. â€œÉ para que ele não estrague com o solâ€, ressalta Odair.
Também não faltam equipamento de som completo, com CD player e quatro alto-falantes, e três brake-lights (luzes de freio) próximos ao porta-malas. O chão do automóvel conta, ainda, com o revestimento de três tapetes, um deles semelhante a um papel de parede.
Outro detalhe curioso é a buzina, que quando acionada toca o hino do Corinthians, time do coração de Yayo Chan, a esposa de China. Entretanto, seu nome “brasileiro†é outro: Regina. Isso explica o adesivo homônimo colado no vidro traseiro da Brasília. â€œÉ o nome que ela gosta de usar aqui no Paísâ€, explica o aposentado.
O motor - impecável - é o mesmo da Kombi 2000 e não tem sujeira ou marcas de vazamento de óleo. A transmissão é a do modelo SP2, um dos maiores responsáveis, segundo China, por fazer a Brasília alcançar mais de 180 km/h. “Ela alcança velocidades até maioresâ€, jura o aposentado.
Preocupado com a segurança de sua “jóiaâ€, China também a equipou com alarme e trava. “Deixá-la na rua sem qualquer proteção é perigoso, pois ela chama a atenção por onde passaâ€, afirma ele. “Enquanto muitos querem tirar fotografia, outros perguntam se não a alugo ou faço casamento com a Brasíliaâ€, acrescenta.
“Doençaâ€
Mas para que a Brasília chegasse ao atual nível de “decoração†foi preciso muita paciência de China. Assim que a comprou, em 1974, trocou os pára-choques, as rodas, os pneus e fez a instalação elétrica completa, além de trocar o assoalho, amortecedores e freios. Desta forma, gastou mais de dez anos para deixá-la com a sua cara. Entretanto, ainda faz planos. “Quero colocar uma buzina de caminhão.â€
Segundo China, o prazer pelos enfeites é uma doença. â€œÉ gosto e vem de dentro de mim. Não sei explicar o porquê. Saio com o sapato rasgado, mas não com um pneu velho na Brasília. Quando chego nas lojas especializadas em acessórios, eles me desfalcam o bolso. Vou colocando-os devagar e mal acabo de pagá-los já vou fazendo outrosâ€, destaca ele.
Entretanto, apesar de todo carinho dispensado ao carro, China é taxativo ao garantir que a vende. “Ela vale cerca de R$ 10 mil e se aparecer interessados vendo na hora. Xodó é minha esposaâ€, afirma ele. “Ainda sonho em ter um Chevrolet Belair conversível só para pegar minha patroa e passearâ€, completa ele.