10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Câmpus de Bauru da Unesp pára a partir de segunda-feira

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A partir de segunda-feira, professores, funcionários e alunos do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) entrarão em greve. A decisão veio pela falta de acordo com o Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp) em torno das reivindicações referentes à campanha salarial. Para o próprio dia 10, está marcada uma reunião com representantes do Fórum das 6 e a Reitoria da Unesp, em São Paulo. A assembléia feita ontem ratificou o movimento.

De acordo com o presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) do câmpus local, Milton Vieira do Prado Júnior, na reunião de segunda-feira serão discutidos os principais pontos da pauta unificada de reivindicações. Um deles é a contraproposta da categoria, de dividir a aplicação do índice de reposição salarial de 16% em duas etapas, sendo a primeira de 9,68% imediatamente e o restante em setembro.

Outro ponto é a necessidade de contratação de professores e funcionários para as três universidades públicas do Estado - Unesp, USP e Unicamp. Segundo Prado Júnior, há vários anos não estaria ocorrendo reposição de vagas. O crescimento da quantidade de alunos registrado desde a década de 90 estaria sendo confrontado com a diminuição de docentes.

“Atualmente, entre todos os câmpus da Unesp a defasagem de professores é de cerca de 390 profissionais. A Reitoria chegou a acenar com a reposição de apenas 189 professores, só que em regime parcial e não de dedicação exclusiva de 40 horas semanais. Na USP, o pedido foi de 180 docentes e a Reitoria propôs 12, também em regime parcial”, afirma Prado Júnior.

Estudantes

Outra discussão que deverá estar em pauta no dia 10 é sobre a assistência estudantil. Alunos da Unesp estão reivindicando a construção de moradias, entre outros itens. Segundo o presidente da Adunesp, alguns estariam recebendo uma bolsa moradia, mas de valor muito baixo, em torno de R$ 45,00 por mês.

Outro importante item de discussão será o projeto do Cruesp de expansão de vagas para professores a partir da criação de oito novos câmpus que estão previstos. Pelo fato das novas contratações preverem um sistema itinerante - os docentes dariam aulas em diversas unidades da universidade -, a Adunesp e os estudantes temem uma possível queda na qualidade do ensino.

“Queremos um posicionamento unitário sobre o projeto. Além da questão dos professores, nesse sistema os funcionários dos novos câmpus seriam contratados pelas prefeituras de cada cidade e não pela Unesp. Está prevista para este ano uma verba suplementar para a criação de novos cursos, mas ela não é garantida para os próximos anos. Expandir a quantidade de câmpus e cursos sem a garantia de ter mais recursos disponíveis, pode ameaçar a qualidade do ensino e da estrutura nos câmpus já existentes”, avalia Prado Júnior.

Caravana

Uma caravana com representantes das três categorias (professores, funcionários e alunos) do câmpus de Bauru seguirá até São Paulo, na segunda-feira, para fazer um ato em frente à Reitoria. Segundo Prado Júnior, a reunião do dia 10 só foi marcada depois que a instalação da greve foi anunciada. O ato será apoiado pela USP e Unicamp.

No dia 11, haverá uma série de assembléias em todos os 15 câmpus da Unesp em torno do resultado das negociações do dia anterior. Dependendo do quadro, poderá ser anunciada a suspensão ou a continuidade da greve.

De acordo com informações da Adunesp, o câmpus local da Unesp possui cerca de 450 professores, 600 funcionários e aproximadamente 4 mil alunos. Entre as três faculdades - Engenharia, Ciências e a FAAC (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação) - são oferecidos 19 cursos, ao todo.

De acordo com a Adunesp, nos câmpus de Botucatu, Ilha Solteira, Marília, Presidente Prudente e São José dos Campos, a greve também será iniciada depois de amanhã. Os de Araçatuba, Assis, Franca e Rio Claro estão em estado de greve aguardando o resultado da reunião de segunda-feira.