11 de julho de 2026
Política

Dispensa de Saldanha em 70 não passou por Médici

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 1 min

A dispensa de João Saldanha do comando da seleção brasileira de futebol meses antes da Copa do Mundo de 1970 - realizada no México - não passou pelo crivo do então presidente Emílio Garrastazu Médici, conforme se conta.

A afirmação é do professor e cientista político Cláudio Arantes, da Faculdade Cásper Líbero. Ontem, ele lançou, em São Paulo, o livro “O trauma da bola - a Copa de 1982 por João Saldanha”, que reúne crônicas do ex-técnico da seleção publicadas no Jornal do Brasil de março a setembro de 1982.

Segundo o professor, Jarbas Passarinho - na época ministro da Educação, a quem estava subordinada a CBD - garante que isso não existiu.

“O Jarbas Passarinho diz que falam isso mas não provam. Estou convencido de que alguns resultados negativos da seleção no início de 1970 provocaram o início de um trabalho sorrateiro para a queda de Saldanha.”

Arantes lembra que alguns setores da imprensa carioca começaram a afirmar que João Saldanha - que também era jornalista - era um aventureiro. “Isso tinha uma certa base dentro da comissão técnica. Alguns integrantes já estavam preparando a cama para o Zagallo (Mário Jorge Lobo Zagallo).”

O professor aponta que Saldanha chegou a ameaçar deixar Pelé de fora da seleção, na reserva. “Naquela época não havia substituição durante o jogo. Ele alegou que precisava preparar o time sem Pelé. Isso também despertou a imprensa paulista contra ele.”

Para o professor, Saldanha “caiu” porque a sua base de apoio - imprensa e dirigentes da CBD - já não o queria mais no comando da seleção. “Há uma parte de uma pesquisa que eu fiz que o Médici demonstra simpatia por Saldanha e até esperava que ele fizesse uma limpeza no futebol brasileiro.”