08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O que não podemos mudar


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Neste dia 15 de maio próximo passado, além de ter sido comemorado o Dia da Assistente Social, foi também o Dia Internacional dos Objetos de Consciência, que desgraçadamente não se dá para fazer comemoração alguma. A ignorância grassa, permeia a tudo e se faz dominante em todos os segmentos de nossa sociedade, como por força de lei, cooperando para que esse estado de coisa continue. Onde há consciência? De um lado está a classe pobre, o povão, que não está cônscio, que pode ser assistido, nos mais variados aspectos de sua situação; do outro lado estão os que poderiam conceder toda assistência necessária.

É horrível você contemplar e conviver diariamente com toda essa mendicância do povo para ser e conseguir o mínimo necessário à sua sobrevivência, bem ridícula. São necessidades assistenciais de médico, exames, especialista, de consulta jurídica, cirurgia, transportes emergenciais para tratamento, medicamentos comuns e alimentação básica. Para moradia, educação, segurança e cultura jamais se cogita buscar, como forma de necessidades para os mesmos. Aqui entram todas as(os) benevolentes assistentes sociais que aplaudimos, louvamos e reconhecemos o drama do que é conviver formalmente com as contraposições do direito e do dever. Pois o povo não busca o direito, o que seria o seu dever, o Poder Público tem vedado o direito do que seria o seu dever (obrigação). Cada uma das partes não faz a simples lição de casa.

Assim, fica deveras estabelecida uma profunda crassidade de ignorância, é lei plenamente corrente, não escrita. Temos todo o povo que desconhece o seu lado patronal e de responsabilidade de todo o bem público, pois tudo que necessita e que poderia estar ao seu dispor é custeado pelo próprio povo, alheio ao direito e ao dever. O que existe é uma inversão pragmática, em que se estabelece o governo, os políticos e os servidores das repartições como verdadeiros donos de tudo, e que ao seu belprazer regram e minam os direitos de todo o povo. Mas pouquíssimos pensam e agem contra tudo isso que ficou estabelecido.

Todo o servidor, que é apenas um administrador do bem público, deveria conotar a acepção correta de sua função, sem exacerbação autoritária de um regrador somente. Além do mais, a função é de servir a comunidade da melhor maneira possível e não se servir da mesma cerceando-lhe o direito. E o que fazer a tudo isso, quando não há consciência? Pois, embora sendo irrelevante, é também irreversível todo esse quadro social; pois toda uma massa populacional faz como qualquer político, que cita tudo o que deveria ser feito, nas tribunas e diante dos balcões dos bares da vida. Se diz até como o Senhor Deus deva agir, mas não toma a mínima iniciativa do bem comum. Não se percebe a obrigação de cidadania de vigilância e gerenciamento de todo bem público. Peca-se pela falta da consciência da parte do dever e da não conscientização da parte do direito. O Dia Internacional dos Objetos da Consciência pode ser também o Dia Internacional das Objeções da Consciência que seria o mais aplicável, que é o estado de coisas sem compromisso em tudo.

Em meio a todas as coisas que lamentamos, devemos ressaltar a função heróica de cada uma de nossas amadas assistentes sociais, atuadoras a contento entre esses lados clássicos. Parabenizamo-las. (Carlos Roberto dos Santos)