08 de julho de 2026
Regional

Queimadas poluem ar de Araraquara

Por Micheli Valala | Repórter da Tribuna
| Tempo de leitura: 3 min

Araraquara - A cidade evoluiu nos últimos cinco anos no tratamento da água e do esgoto. Por outro lado, o ar está cada vez mais poluído. As freqüentes e crescentes queimadas urbanas são as principais causas. Nos últimos dois meses foram registrados 250 autos de infrações. A avaliação é da Agência Ambiental da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

O gerente da Cetesb de Araraquara, engenheiro civil e mestre em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela USP de São Carlos, José Jorge Guimarães, garante que a cidade tem mostrado competência para gerir adequadamente seus recursos hídricos, principalmente com a implantação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), ocorrida em 1997.

Há cinco anos, todo o esgoto era lançado nos rios de Araraquara, portanto, os coliformes fecais ocasionavam sua morte acoplada da poluição visual. Atualmente, 100% da água e do esgoto são tratados.

Por outro lado, ele afirma que ainda existem problemas como, por exemplo, lançamentos clandestinos de esgoto em galerias de águas pluviais. Guimarães afirma que o Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae) já está monitorando esses pontos.

Autos de infrações

Como agravante às condições do ar em Araraquara, as queimadas urbanas têm aumentado muito nos últimos anos. Na visão de Guimarães, esse aumento se dá de forma atípica porque a principal fonte não é a industrial e sim as queimadas urbanas e de cana-de-açúcar.

A coordenadoria do Meio Ambiente emitiu, somente nos meses de abril e maio passados, 250 autos de infrações aos proprietários de terrenos por causa da queimada. Enquanto que no período de estiagem de 2001, março a outubro, foram 300.

A Cetesb, por sua vez, registrou um aumento 12% na concentração de partículas em suspensão (fumaça), em relação ao mesmo período do ano passado, com ênfase na queimada urbana. Para Guimarães, isso é um ato de vandalismo e completamente desnecessário.

“A queimada de cana tem um fundamento econômico, tecnicamente ela é justificada porque as empresas sucroalcooleiras não estão, como um todo, preparadas para moer a cana cortada sem o auxílio da queima da palha”.

Ele elucida que a fumaça compromete a qualidade do ar e afeta a saúde das pessoas. Ele diz que, em Araraquara, a Prefeitura está realizando um trabalho satisfatório, no entanto, deveria aumentar o rigor da fiscalização e da aplicação das penalidades, a multa gira em torno de R$ 900,00.

Para a queimada de cana-de-açúcar, o Estado aprovou a lei de nº 10.547 de maio de 2000 regulamentada pelo decreto nº 45.689 de junho de 2001, que dá prazo para os usineiros até 2005 estarem cumprindo a redução da área queimada em 20% a cada cinco anos.

Estima-se que haja uma área plantada de 180.615 hectares, com cerca de 68% do corte realizado com a queima. Guimarães salienta a existência de áreas de restrições às queimadas. Elas se encontram nas faixas abaixo de redes elétricas de alta tensão, áreas próximas a hospitais, a rodovias, a ferrovias e áreas de armazenamento de combustíveis, entre outras.

Ele ressalta que o controle de poluição ambiental do ar, água, resíduo sólido e ruído/vibração é sinônimo de qualidade de vida. Resumidamente ele divide Araraquara antes e depois da ETE. “Até 1997 a cidade tinha nota 5, atualmente tem 7, e quando resolver o problema de queimada deve atingir a nota 9 ou 9,5”.