A fase inicial de um relacionamento é chamada de encantamento, ou seja, a paixão que faz com que um não veja os defeitos do outro. O tempo de convivência passa a mostrar essas diferenças ou defeitos. É nesse momento que o amor passa a existir.
A doutora em psicologia e professora do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Sandra Calais, diz que a fase da paixão é aquela que provoca mudanças fisiológicas como aceleração do coração, descarga de adrenalina, frio na barriga, ou seja, a pessoa só fica bem quando está perto da outra.
O amor, de acordo com ela, é o que fica depois disso. Mas num relacionamento duradouro, a pessoa fica perdidamente apaixonada pelo seu companheiro várias vezes. Ela ressalta que o que tolera realmente toda condição de vida é o amor. "Esse é o embasamento. É como uma casa. O alicerce é o amor, o que sustenta. A paixão seria a decoração, as cores, os móveis", compara.
Para identificar o amor, explica a professora, é preciso convivência. "É o dia-a-dia que faz com que a pessoa perceba que aquele sentimento é amor. Quando os sacrifícios e as renúncias valem a pena", afirma.
Se no início do relacionamento, a pessoa faz muitas concessões e não revê essas concessões depois de um certo tempo, essa união está fadada a não dar certo.
Ela explica que os agrados que, inicialmente, se faz como forma de sedução para agradar ao outro não são mentiras, mas omite-se algumas coisas, ou fantasia-se muito para estar de acordo com a preferência do outro. Se a pessoa deixa passar o tempo e mantém essa condição, vai ficar insatisfeita e o outro não vai entender o por quê dessa insatisfação. “A pessoa tem que ir aos poucos mostrando as diferenças e negociando essa aceitação com diálogoâ€, analisa.
Sandra diz que, mesmo numa convivência tranqüila, há altos e baixos no relacionamento. “Um relacionamento bom, pode não estar bom numa certa época da vidaâ€, diz. Isso se deve à fase que cada um está passando em cada momento. Um pode estar mais irritado que o outro e é preciso paciência, carinho e amor para superarem juntos.
Sandra alerta que, também nos relacionamentos sólidos, há momentos em que as pessoas podem pensar se devem continuar com aquele parceiro. Nesse momento, quando surge a dúvida, é o amor o único elemento seguro e que pode salvar essa crise. “A pessoa tem a persistência, a garra de avaliar que, se um dia deu certo, vamos agüentar um pouco para ver o que acontece e superar a crise com um vínculo mais forte, com uma condição melhor de relacionamento porque o casal cresce e o relacionamento melhoraâ€, explica.
Viver o dia-a-dia e passar situações difíceis comuns aos dois é o que solidifica a relação, portanto é preciso conviver para conhecer exatamente o parceiro.
Uma vez juntos, unidos para sempre
Sandra diz que, uma vez que duas pessoas se casam apaixonadas, não há por que o relacionamento chegar ao fim. “As pessoas estão acostumadas com o imediatismo e há coisas que construímos durante toda uma vidaâ€, diz.
Ela conta que os dois devem saber superar os momentos de crises com o amor que um dia os uniu. Se um estiver com menos perspectivas, cabe ao outro auxiliar nesse processo. Um relacionamento baseado no amor, tem momentos de paixão. Sandra conta que em anos de convivência, a pessoa se apaixona várias vezes pelo parceiro.
A psicóloga afirma que se nos momentos de crise, o casal tolerasse mais um tempo, tentando alguma forma de se acertar, o problema poderia ser solucionado. “Isso porque a escolha inicial é acertada, o que falta é um pouco de paciência e vontade de contornar a situaçãoâ€, diz.
Claro que a decisão de tentar “recuperar†o amor tem que partir dos dois. Apenas um lutando, fica difícil conseguir algo positivo.
Perfeição
Um bom relacionamento entre duas pessoas vale, muitas vezes, a construção de uma vida inteira, porque a cada dia as pessoas mudam de comportamento, portanto há que “acertar as engrenagensâ€, sempre.
De acordo com Sandra, a união de duas pessoas que se dão bem é o que se chama de relacionamento de alma gêmea. Uma união é feita de altos e baixos, ninguém vive sem nenhum tipo de problema, sem desentendimentos. O importante, de acordo com Sandra, é saber superar essas crises com muito amor.
A professora acredita que as pessoas têm várias almas gêmeas. Ela explica isso dizendo que se as almas gêmeas nascem em países diferentes, como se encontrariam? Ou, então se uma pessoa tem um casamento de alma gêmea e fica viúva, ela não teria o direito de ser feliz novamente?
Para identificar se aquela pessoa é uma alma gêmea, é preciso ser um encontro casual e reconhecer no outro alguns comportamentos que são interessantes e reforçadores. Nesse momento, busca-se um contato que deve ser recíproco por parte do outro e então, cria-se um relacionamento de alma gêmea.
Sandra avalia que as pessoas têm mania de buscar um relacionamento perfeito e isso, afirma ela, não existe. “Nós somos seres humanos, somos diferentes e, portanto, temos discussões e isso não é ruimâ€, explica.
Ela lembra que a graça está na diferença e o fato das pessoas acreditarem que é possível existir um relacionamento perfeito as torna infelizes. “O importante é que um aceite as diferenças do outro e criar um relacionamento de alma gêmeaâ€, diz.
Afrodite ajuda pessoas a encontrarem a cara-metade
Uma agência de namoro pode ser o meio para se encontrar a alma gêmea. Para as pessoas que são muito tímidas ou não possuem um vínculo de amizade grande, essa forma pode ser muito válida.
Jaqueline Cury é psicóloga e proprietária da agência de namoro Afrodite.
Em quase dois anos de experiência Jaqueline já intermediou a união de mais de 20 casais. Muitos deles, conta ela, se apaixonam logo de início e dão certo. “Tem um casal que em um mês namorou, foi morar junto, está superbem e agora espera um filhoâ€, diz.
Para se inscrever, o candidato ou candidata deve ser maior de 21 anos, solteiro, separado ou divorciado, entre outras exigências. O pretendente então, aponta as características da pessoa que gostaria de conhecer e aguarda um contato da mediadora Jaqueline que procura alguém que se enquadre no perfil pretendido.
Essas pessoas têm o primeiro contato pelo telefone e depois se encontram. “Tudo é feito com muita ética e sigilo. Eu nunca digo o telefone da pessoa ou onde ela trabalha. Primeiro converso para dar as orientaçõesâ€, conta.
Jaqueline diz que, para encontrar a alma gêmea, é preciso estar bem, aberta para receber o outro.
Fábio Henrique Santos Mira, 25 anos, e Fabiana Cristina Firmino, 22 anos, se conheceram através da agência de namoro Afrodite há um ano e oito meses. No primeiro encontro, Fábio diz ter tido a certeza de que Fabiana seria a mulher de sua vida. Contudo, ela diz que levou um pouco mais de tempo para estar certa disso. Os dois ficaram noivos há um ano e pretendem casar e constituir uma família. "Eu encontrei minha alma gêmea, a Fabiana, através da agência. Me inscrevi porque sou muito tímido e achei que seria uma maneira de encontrar alguém especial. Consegui", conta Fábio.
Fabiana diz ter gostado da maneira de ser do Fábio e, por isso, se encantou. Os dois afirmam que quase nunca brigam. "Somos felizes e temos um relcionamento muito estável", contam.