De acordo com nutricionistas ouvidas pela reportagem, o inverno brasileiro não justifica a tradicional “comilança†verificada nesta época. Em quatro meses de estação, são pouquíssimos os dias frios e, ainda assim, a temperatura permanece acima de zero grau em praticamente todo o País.
Para garantir um bom funcionamento, o organismo humano precisa manter sua temperatura interna por volta dos 36-37 graus. Isso acontece graças à queima de combustível (calorias). Conforme a temperatura externa cai, o corpo usa mais energia para permanecer aquecido.
A questão é que o inverno brasileiro é bastante ameno e este gasto aumentado de energia não ultrapassa as 100 calorias em dias bem frios, segundo a nutricionista Sylvia Tosi. â€œÉ o equivalente a um copo de leite desnatado com uma colher (sobremesa) de achocolatado dietâ€, exemplifica.
No entanto, basta cair a 15 graus para que boa parte da população já adote pratos mais quentes no cardápio - quentes em temperatura e em calorias. Neste sentido, os doces, gorduras e bebidas alcoólicas são os principais vilões.
Armadilhas
A saborosa feijoada, com seus paios, carne seca e pele suína, aparece no topo do ranking entre as gulodices do inverno. Apetitosa, ela agrada ao paladar e garante o aquecimento, mas à custa de até 300 calorias em apenas uma concha, dependendo dos ingredientes. Há quem encha dois, três pratos de feijoada, acompanhada de couve na manteiga, farofa e arroz.
Outra armadilha da estação são os fondues - combinações de queijos ou chocolates derretidos em que se mergulham pedaços de pão, torradas ou frutas. Pequenas porções também chegam a 300 calorias, dependendo dos ingredientes usados.
Há também os caldos, sopas e cremes dos mais variados sabores. Neste caso, o problema está nos complementos - geralmente pães, queijos, creme de leite, bacon ou lingüiças.
E as massas? Macarrão, lasanha, canelone, capelete, raviole regados por molhos e cremes vermelhos, brancos, rosés, com carne, com queijo, com bacon, frango, numa infinidade de combinações irresistivelmente polvilhadas com queijo parmesão.
“Cada um desses pratos ainda vem acompanhado de uma bebida alcoólica, igualmente calórica, seja a caipirinha para feijoada, vinho para massas ou uma dose de conhaque. No fim do dia, são centenas de calorias a mais que se traduzem em gordura armazenada até o final do invernoâ€, comenta Tosi.
Doces juninos
Se já não bastasse o abuso dos pratos salgados, o inverno também é tempo das delícias juninas, incluindo os mais variados doces. A canjica, por exemplo, oferece 200 calorias em uma única xícara e ela nem sempre vem sozinha, podendo ser preparada com amendoim, chocolate e leite condensado.
Uma xícara de arroz-doce soma 141 calorias. Uma porção de curau chega a 280 calorias e uma broa de milho representa mais 150 calorias.
“Não se pode esquecer do quentão, do vinho quente, da paçoca e dos bolos, como o bolinho de chuva que é frito e passado numa mistura de açúcar e canelaâ€, lembra Tosi.
Ela concorda que todas estas guloseimas são deliciosas e que é difícil passar o inverno sem elas. Porém, alerta que é preciso dosar muito bem as porções e optar por uma de cada vez. “Se você faz bolinho de chuva num final de semana ou come uma feijoada, não repita a dose na semana seguinte, que é para dar tempo do organismo queimar o excedente calórico ingeridoâ€, observa.
Paralelamente, Tosi recomenda àqueles que preparam os pratos em casa que optem por ingredientes menos calóricos, como farinhas integrais, margarina light, requeijão light, leite desnatado, chocolate diet, carnes magras e doces à base de frutas - em detrimento daqueles feitos com leite condensado ou creme de leite.
â€œÉ equilibrar as coisas. Se for comer um pedaço de bolo no lanche, tomar um chá ou café com adoçante para acompanhar. Se você tomar um chocolate quente, já vai ultrapassar a quantidade ideal de calorias da refeição. Sem dúvida, todos esses alimentos são deliciosos, mas a força de vontade deve prevalecerâ€, completa.