10 de julho de 2026
JC Criança

Jovens catireiras buscam manter viva a tradicional dança popular

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Ao assistir a uma apresentação do grupo Caçula de Catira é difícil não ficar emocionado. Mesmo quem não é vidrado em músicas tocadas na viola, gosta de sentir a energia da catira. O grupo é coordenado por Bernedito Antônio Domingues, 66 anos, o seu Toninho, que ao lado do irmão Braulino Manoel Domingues, 71 anos, conduzem a dança por todos os cantos. Juntos novamente há quase três anos, eles se fortalecem diariamente.

O grupo estava desativado há mais de dois anos e foi no primeiro encontro de catireiros, realizado em 99, na Secretaria Municipal de Cultura, que foi possível reunir vários catireiros. Daquela época para cá, as meninas começaram a aprender e agora são craques da catira.

Estimulados, eles retornaram e levam uma turminha de aprendizes, que mostram talento e determinhação quando o assunto é dança. Mas nem sempre foi assim. As meninas contam que pessoas criticavam, chamavam de caipira, mas depois da apresentação ficavam encantadas. "Era até engraçado, primeiro riam e depois iam agradecer", comentam em coro.

As garotas Ana Paula Macedo Pereira, 15 anos; Luciana Santos Ramos, 11 anos; Rita de Cássia Rodrigues Macedo, 16 anos; Taynah Aparecida Novaes de Oliveira, 12 anos; Thayane Macedo Pereira, 12 anos; Thayres Aparecida Novaes, 10 anos; e Taysa Aparecida Novaes de Oliveira, 11 anos; garantem muita animação nesses dias de junho.

Toninho explica: "A dança é tradicional neste mês e somos convidados para fazer apresentações em Bauru e região. Temos 22 datas agendadas", lembra o coordenador da turma.

Os catireiros aproveitam para comentar o período de festa nas fazendas. "As fazendas eram acolhedoras, muita festa, e a catira começava no assoalho da sala e continuava até o sol raiar", informa Domingues. É claro que antes de tudo havia a reza do terço, o levantamento do mastro e depois a catira", explica Domingues.

Taynah comenta que gosta muito de dançar catira. "No começo era difícil, mas depois a gente foi aprendendo, aprendendo", diz Thaynah. "Nós também estamos realizando o sonho deles!".

Festa de quarteirão

As animadas catireiras convidam para uma festa junina de quarteirão. Tudo feito em comunidade, a festa será no dia 29 de junho, na rua Manoel Bento Cruz, quadra 13.

"A gente faz todo ano. Vai ter brincadeira, caça ao tesouro e gincana. Vai ser gostoso", avisa Luciana. A festança começa às 19h e promente animação. Informações pelo telefone (14) 227-6347.

Seu Toninho aproveita para convidar a turminha para participar do grupo Caçula de Catira. Os ensaios são no Centro Cultural, na avenida Nações Unidas, 8-9.

Entenda mais o cateretê ou catira

O cateretê, dança rural do sul do Brasil, foi inserida pelos jesuítas nas comemorações em homenagem à Santa Cruz, São Gonçalo, Espírito Santo, São João e Nossa Senhora da Conceição. Esta dança é bastante difundida nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em alguns lugares, o cateretê é conhecido como Catira (Aracatuba, Nazaré Paulista, Piracaia e Pereira Barreto).

É mais freqüente ver a Catira ou Cateretê sendo dançado apenas por homens. Porém, em alguns estados como Minas Gerais, é comum ver as mulheres participando desta dança. Em Bauru, o grupo Caçula de Catira possui garotas em sua formação há mais de dois anos.

A dança consiste em fazer duas fileiras, um de frente ao outro, acompanhamento de viola, cantos, sapateados e palmas. Os saltos e a formação em círculo aparecem rapidamente. Os dançarinos não cantam, batem os pés, mãos e acompanham a evolução. No cateretê, as melodias são cantadas por dois violeiros, o “mestre” que faz a primeira voz e o “contramestre”, que é responsável pela segunda. (site: festajunina.com.br)