A decisão do secretário municipal de Esportes, José Roberto Franco, o Sapé, de não permitir que o estádio Horácio Alves Cunha fosse utilizado para abertura da Copa Atletas do Futuro, no último sábado, gerou uma avalanche de críticas na sessão legislativa de ontem. O prefeito Nilson Costa (PPS) também foi alvo das reclamações dos vereadores.
A proibição impediu que cerca de 300 crianças e seus familiares participassem da abertura do evento, transferido, às pressas, para a avenida Jurandir Bueno, localizada ao lado do complexo esportivo.
Os parlamentares foram contundentes em suas críticas dirigidas ao secretário. “O que Bauru assistiu no último sábado foi uma atrocidadeâ€, disse o vereador José Eduardo Ávila (PPB), ao comentar o assunto.
Ele avalia que Sapé vai na contramão da história. “Enquanto muitos tentam retirar crianças das ruas, das drogas, do álcool, da prostituição, outros agem de forma contráriaâ€, critica.
O pepebista lembra que as pessoas que foram proibidas de usar o estádio para a realização do evento também são pagadoras de impostos. “Criança não tem ódio, não tem maldade, rancor, não tem cor partidária. Isso é coisa de gente grande. Pessoas como essa não queremos em Bauru, pois nunca serão lembradasâ€, reforça.
Ávila acha que a situação poderia até ter desencadeado manifestação mais grave por parte dos envolvidos. “Mas o povo é pacífico. Tenho certeza de que o prefeito Nilson Costa não teve conhecimento dessa situação.â€
“Deseleganteâ€
Outro vereador que se mostrou irritado com a proibição de Sapé foi Paulo Eduardo Martins Neto (PFL). “Ele (Sapé) foi deselegante. Deixou de cumprir sua obrigação de agente público. O estádio é do povo. Um secretário sozinho não poderia ter tomado essa decisãoâ€, afirma.
Na avaliação dele, a realização do evento por si só deveria ter superado os princípios de ordem administrativa. “A comunidade tem que estar sempre em primeiro plano. O secretário colocou em ridículo sua secretaria e a administraçãoâ€, diz.
Para o pefelista, o prefeito não tomou conhecimento da situação. “O Nilson sempre pregou a administração do bem. Ele não iria passar por esse vexame ao deixar mais de 300 crianças e o triplo de participantes do lado de fora do estádio.â€
A decepção da maioria das crianças por não ter desfilado na pista do estádio foi o que mais chamou a atenção do vereador José Clemente Rezende (PSB). “Dezenas de crianças de todas as regiões da cidade chegaram ao estádio a pé. Infelizmente, vi muitas delas choraremâ€, relata.
Clemente diz ter certeza de que o prefeito Nilson Costa foi informado da situação, mas nada fez para tentar resolvê-la. “E se havia dúvida quanto ao uso político do evento, deveriam ter acionado o Ministério Público Eleitoral, a Justiça Eleitoral.â€
“Anjinhoâ€
Outro parlamentar que também afirma que o prefeito recebeu informações durante os desdobramentos do incidente é Toninho Garmes (PSDB). “Esse problema não é só do secretário. É também do prefeito. Portanto, ele não vai sair santinho e nem anjinho dessa históriaâ€, avisa.
O tucano diz ter informações de que na última sexta-feira - um dia antes da realização do evento - um vereador - cujo nome não revelou - pediu para Nilson interceder junto ao secretário de Esportes.
“Como o evento não foi realizado, os portões não foram abertos, eu entendo que a ordem partiu do prefeito. Se não foi assim, no mínimo ele foi omisso nessa situaçãoâ€, critica.
“Por altoâ€
O prefeito Nilson Costa (PPS) explicou, ontem, que tinha conhecimento “por alto†da situação envolvendo o secretário municipal de Esportes, José Roberto Franco, o Sapé, e a proibição de uso do estádio Horácio Alves Cunha.
Ele afirma que viajou no domingo pela manhã e só retornou ontem à cidade. “Ainda vou me inteirar do assuntoâ€, comentou, sem adiantar se pretende exigir esclarecimentos por parte de Sapé.
Nilson, porém, chama a atenção para as declarações do juiz da 23.ª Zona Eleitoral de Bauru, Horácio Furquim Guanaes, publicadas em matéria na edição de ontem do Jornal da Cidade.
“O próprio juiz declarou que vai exercer uma vigilância sobre os órgãos públicos. Me parece que esse torneio tem um patrono que é pré-candidato a deputado. E isso poderia causar problemas para a administraçãoâ€, avalia.
O prefeito defende o secretário de Esportes e garante que ele oferece tratamento igual às duas ligas de futebol que atuam no município. “A prefeitura libera, mensalmente, uma ajuda para a arbitragem. Os estádios estão à disposição das duas ligas, de maneira igual, para os torneios oficiais.â€
A reportagem do JC não conseguiu localizar Sapé para rebater as críticas dos vereadores.