O país está aguardando providências oficiais no campo da produção de medicamentos, principalmente os mais essenciais a cada tipo de enfermidade, porque os hospitais e boticas começam a se ressentir da carência de um grupo bem acentuado de remédios de consumo mais largo, do que surge como clamor o alerta que entidades da categoria têm veiculado em muitos dos principais mercados nacionais. Gritam, a propósito, que os estabelecimentos de suas cidades estão com suas prateleiras se exaurindo e, se não reabastecidas urgentemente, poderão determinar que logo apareçam pacientes morrendo, dentro das farmácias ou clínicas, embora com receitas presas nas mãos. Uma fonte governamental classificou o alerta de exagerado ou tendencioso, mas - convenha-se - seria prudente que ele fosse entendido com honesto e objetivo realismo pelas autoridades setoriais, as quais não podem fazer ouvidos moucos a problema tão sério, por dizer de perto à saúde do povo. E a questão chega paradoxalmente aos limites dos genéricos, cujo consumo cresceu em proporções tão avantajadas que não podem permitir, de forma qualquer, que a sua multiplicação estacione. Seu mercado aumentou em 4,97 por cento nos dois últimos anos, representando isso nada menos de 100 milhões de comprimidos mensais. Estima-se que cerca de 450 tipos de genéricos estão nas prateleiras, número indesmentível face à diversificação que esses produtos conseguiram alcançar na indústria específica, a qual, no momento, produz desde analgésicos até remédios para o mal de Parkinson, conforme destacam vozes especializadas. Mas, tal volume carece de avanços, sendo imprescindível estimulá-los a fim de que até no próximo ano tais especialidades possam estar respondendo a por 30% do consumo, de acordo com as aspirações da manufatura específica. É preciso, então, que o Governo incentive a produção simultânea dos medicamentos de marca, de um lado, e dos modernos genéricos, de outro, pois, conforme a advertência das entidades, estará o país diante de um crime indesculpável se os doentes começarem a tombar no interior das farmácias por falta dos comprimidos, injeções e gotas que não tenham análogos, de um e outro tipo, para manter incólume a vida dos brasileiros indispostos a baterem às portas das drogarias lá das alturas... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)