08 de julho de 2026
Geral

Escola leva alunos para conversar com dependentes de drogas em tratamento

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A curiosidade e a falta de orientação adequada pode levar o pré-adolescente a experimentar algum tipo de droga. A prevenção é o melhor caminho já que a oferta é muito grande. O Colégio Dinâmico/Balão Azul está abordando o problema das drogas de uma maneira diferente. Está levando seus alunos para ouvir a história de quem já passou pelo problema e está tentando vencer os obstáculos no Esquadrão da Vida, entidade de recuperação de dependentes químicos.

A idéia, segundo a psicoterapeuta e psicopedagoga da escola, Sandra Cristina Boconcélo, é unir a teoria à prática. “Nós estamos fazendo a prevenção. Proporcionando a vivência. Queremos que eles conheçam as consequências e entendam como é a recuperação, o tratamento.”

Vários eventos estão programados com os alunos de 5.ª e 6.ª séries da escola. “Eles vão participar das palestras e dos depoimentos de quem já enfrentou o problema do vício. Os pais também participarão dos eventos para poderem orientar seu filhos de maneira correta.”

Desta maneira, a psicopedagoga pretende preparar os pré-adolescentes para dizer não. “O tema está sendo abordado com o título de “Drogas, não caia nessa”. Pretendemos preparar o aluno para que ele saiba escolher entre a vida e o vício.”

Na opinião de Sandra, grande parte dos adolescentes que se envolvem com drogas têm o primeiro contato motivado pela curiosidade. “Acredita-se que é por curiosidade que eles acabam caindo numa armadilha. Nós pretendemos prepará-los para enfrentar a situação. Se eles optarem pelo vício têm que estar conscientes de que não conseguirão parar sem a ajuda de terceiros.”

Segundo ela, todos os alunos do colégio estão sendo orientados. “Os estudantes da 1.ª série estão aprendendo sobre o álcool. De forma indireta, todos os alunos receberão orientações.”

Sem amigos

Uma aluna de 10 anos confessa que aprendeu muito com a palestra sobre drogas e com os depoimentos de pessoas que já enfrentaram o problema. “Aprendi que não existe drogas fortes ou fracas, todas viciam. Em um depoimento, o rapaz contou que iniciou no vício ingerindo bebidas alcoólicas e passou para a maconha”, diz.

A situação, segundo a aluna, chegou no ponto que o usuário de drogas perdeu todos os seus amigos, ficou isolado. “Ele ficou sem ninguém porque só pensava em usar drogas. Eu não quero ficar sem meus amigos”, confessa.

A menina diz que após assistir às palestras está preparada para dizer não a quem vier lhe oferecer algum tipo de droga. Para ela, o depoimento do ex-usuário foi o fato mais marcante. “A história me comoveu. Ele sofreu muito para deixar de fumar maconha”, diz.

Um estudante 11 anos diz que de tudo o que ouviu na palestra e no depoimento o que mais ficou gravado é que o usuário procura a droga, geralmente, para se livrar de um problema, mas acaba arrumando outro. “A pessoa procura a droga quando está com problema. Não consegue resolver e ainda, arruma outro”, frisa.

O menino diz que não quer ficar como o rapaz que deu o depoimento na escola. “Eu fiquei sensibilizado. Ele sofreu muito para se livrar do vício. A família dele teve um papel muito importante na recuperação”.

De acordo com o aluno, para deixar o vício, o rapaz teve que ter opinião. “O usuário de droga tem que querer deixar o vício, caso contrário, a ajuda externa não tem muita influência”. Ele diz que está preparado para não aceitar drogas. “Estou orientado e prevenido. Meus pais já haviam falado sobre o assunto e o depoimento do rapaz me comoveu bastante”, completa.