De acordo com o psicólogo do Esquadrão da Vida, Noé Amorim, o pior efeito das drogas é a mutilação dos sentimentos. “As drogas acabam com os sentimentos dos usuários e a partir daí, eles passam a cometer crimes, causam dor em seu familiares e abandonam a escola, emprego etc.â€
O mal da maconha, segundo ele, é a síndrome amotivacional. A droga tira toda a disposição, motivação do usuário que se torna uma pessoa relapsa, desinteressada. É notório em qualquer aluno que se envolve com maconha a queda no rendimento escolar e até no trabalho.
Um dos piores danos causados pela maconha, na opinião do psicólogo, é o problema causado na memória recente. “A pessoa, no período de uso, tem uma dificuldade tremenda de aprendizagem e assimilação. Os efeitos perduram até depois do uso da droga e o usuário se torna inconseqüente. A maconha altera a questão de tempo e espaço e a pessoa não consegue relacionar o passado presente e futuro em larga escala, por isso ele não se preocupa com o futuro.â€
A cocaína destrói à curto prazo, na opinião do profissional. “Ela atinge de uma forma muito agressiva. No início ela é muito prazerosa, porque é estimulante do sistema nervoso. Aparentemente integra a pessoa ao ambiente. Num primeiro momento parece que está fazendo muito bem para o usuário. O efeito degenerativo é muito rápido. A pessoa passa a ter paranóia, medo, fobia social. Se tranca em casa e começa a viver só para a droga, até ter uma overdose.
Já os efeitos do crack são mais avassaladores, de acordo com Amorim. “O crack tem o mesmo efeito da cocaína, só que numa potência de ação rápida. A cocaína leva um tempo para fazer efeito e a curva de média do efeito cai devagar, permitindo a adaptação do estado eufórico para o normal. O crack coloca o usuário num estado exagerado de prazer em cinco segundos, no qual ele fica de 12 a 15 minutos e despenca. A depressão que vem em seguida estimula o usuário a usar mais a drogaâ€, diz.
O psicólogo frisa que o problema das drogas pode ser tratado em três estágios: primário, secundário e terceário. A prevenção, a abordagem e tratamento ambulatorial e tratamento com internação. A prevenção é o que está sendo feito pelo colégio.
Ele acredita que o depoimento de quem já passou pelas drogas sensibilize os estudantes que ainda não se envolveram. “A história de vida com a passagem pelas drogas. A contabilidade dos prejuízos e os fatores que contribuíram para que ele passasse a ser usuário são enfoques importantes que sensibilizam os alunos.â€
Na opinião dele, os pais devem estar bem orientados para poderem passar as informações. “Não adianta apontar só os malefícios. Falar que a droga mata. É preciso dizer a verdade. Dizer que o uso das drogas é prazeroso, porém que o preço desse prazer é muito alto. A simples proibição pode provocar efeito contrárioâ€.